Roteiro 4 – out/13 – Relatório de Viagem

De carro na estrada do Rio de Janeiro à Machu Picchu – outubro de 2013

Preparação

Os preparativos para essa viagem foram bem menos complexos do que a viagem à Patagônia. Afinal, já sabíamos muitos detalhes e várias dicas da viagem anterior. Dessa forma, precisamos de pouco mais de um ano e meio para adentramos novamente na estrada.

Da mesma forma que na viagem anterior, lemos livros, visitamos outros blogs, pegamos várias dicas de outros viajantes que já fizeram algo semelhante.

Tudo parecia nos conformes até o mês de julho. Até que Oswaldo quebra o braço, faltando 10 semanas e meia para o início da viagem. Desta forma, a viagem vira uma incógnita.

A previsão inicial era de, no mínimo, 8 semanas com gesso. O tempo foi passando e quando as 8 semanas se passaram, o calo ósseo ainda não estava bom e o médico recomendou ficar mais 1 semana para nova avaliação.

Faltando 12 dias para a viagem, Oswaldo tira o gesso e usa uma tala por 7 dias. Somente quando faltavam 5 dias, começa a fazer fisioteria intensiva para destravar o pulso e o cotovelo, que ficaram engessados por mais de 2 meses.

A viagem só foi confirmada faltando menos de 10 dias para seu início e com algumas limitações no braço de Oswaldo.

Com tudo confirmado, a última semana foi só correria. Compra de passeio de trem pela internet, entrada de Machu Picchu… Mas tudo aconteceu do jeito que tinha que acontecer e no dia 12 de outubro, um sábado, deu-se início a mais esta viagem, com a mala e banco traseiro do Blacktona (nosso carro) bem cheios.

A lista do que levamos:

Altímetro
Cabo para bateria
Calça e anorak
Calculadora
Cambão para reboque
Canivete
Capa de chuva
Carregador e benjamim
Casacos
Chave reserva e Manual do carro
Corda
Cortador de unha
Desodorante
Endereços e telefones de autorizadas
Escova e creme de dente
Fio dental
Fita isolante
Flanela e panos
Funil
Galão para combustível
Garrafa para água
Guias, mapas e GPS
Kit de primeiros socorros
Lanterna
Lap top
Luvas, meias e gorros
Máquina de retrato
Óculos de sol
Papel e caneta
Papel higiênico
Passaporte e PID
Pen drive
Pilhas reservas p/ lanterna
Protetor solar e labial
Remédios de urgência
Sacos de lixo
Seguro carta verde
Seguro do Carro
Seguro viagem
Tesoura
Token para fazer transações do banco pela internet
Travesseiro inflavel
Triangulo extra
Tripé para câmera
Vacina de Febre Amarela (Certificado)

1º dia – 12/10: Rio de Janeiro/RJ até Foz do Iguaçu/PR

Saímos às 00:40 do Rio de Janeiro. Pegamos a Perimetral e nos despedimos dela. Afinal, era prevista a derrubada do viaduto no início de novembro de 2013. Linha Vermelha e rodovia Presidente Dutra super tranquilas. Com uma parada para lanchar, chegamos à Marginal Tietê antes das 6 da manhã. Tivemos que pagar os diversos pedágios da rodovia para podermos usufruir de seu tapete.

Como planejado, não pegamos trânsito na capital paulistana de manhã cedinho e decidimos não ir pela Régis Bittencourt. A ideia inicial era ir até Curitiba e “subir” até Foz, mas decidimos pegar a rodovia Castelo Branco, com seu limite de 120 km/h. Logo no começo, estávamos na pista da esquerda e o carro que estava do nosso lado direito se jogou pra cima de nós. Quase uma batida logo no primeiro dia. O cara pediu desculpas e seguimos viagem. Ele provavelmente estava desatento e nós entramos em seu ponto cego. Mas felizmente nada aconteceu.

Na altura de Tatuí, saímos da rodovia Castelo Branco e seguimos pela BR-373 e depois a SP-127, passando por Capão Bonito e Itapeva. Nisso, escutamos no rádio que havia trânsito de 32 km na rodovia Régis Bittencourt. Escolha acertadíssima !!! A sorte estava do nosso lado.

A estrada é muito boa. Do mesmo nível que a Castelo Branco com muito menos fluxo de carros. Maravilha !!! Ótima alternativa.

Entramos no Paraná e pegamos a rodovia que vai até Ponta Grossa. No meio do caminho paramos para almoçar na altura do quilômetro 305 da PR-151, num bom restaurante chamado Niemeyer.

Seguimos viagem, passamos por Prudentópolis, Guarapuava e Cascavel, já na BR-277. No último trecho (entre Cascavel e Foz), pegamos uma chuva forte na estrada, mas chegamos em Foz sem chuva por volta de 20:50.

Fomos direto descansar no hotel que já havíamos feito uma reserva por 2 noites. O hotel fica a 800 metros da ponte que liga o Brasil ao Paraguai. Ótima localização para ir andando até o lado paraguaio.

2º dia – 13/10: Foz do Iguaçu/PR

Como já conhecíamos a cidade, resolvemos apenas voltar no Marco das Três Fronteiras (lado brasileiro). Lá, existe um marco definindo o território brasileiro. De lá, é possível avistar o marco do lado argentino e do lado paraguaio.

Além disso, sobrevoamos de helicóptero as cataratas do Iguaçu. Como já a conhecíamos por terra, resolvemos vê-la novamente do alto. É caro, mas é maravilhoso e imperdível. É um ângulo totalmente diferente que vale a pena ser visto.

Depois fomos ao supermercado. Estacionamos o carro e fomos comprar água e biscoitos para o dia seguinte. Quando retornamos ao carro tivemos uma grande surpresa… O detalhe do logo da Mitsubish que fica no meio da roda do carro, havia sumido. Ainda bem que isso é mais de enfeite e um pouco só de proteção e que só levaram os dois do lado direito do carro, onde a câmera do estaconamento não pegava. Assim pudemos tirar o da roda traseira esquerda e colocar na frente onde tem um parafuso mais sensível e precisa de mais proteção. Sorte que demoramos pouco no mercado.

Depois fomos jantar, abastecer o carro e descansar.

3º dia – 14/10: Foz do Iguaçu/BRA até Resistência/ARG

Acordamos, tomamos café e seguimos viagem. Saímos no hotel às 9:00 e como havia uma rua com várias lojas de automóvel, fomos procurar, rapidamente, pela peça roubada no dia anterior. Encontramos na quarta ou quinta loja. Colocamos a peça no lugar e fomos rumo à Aduana Argentina.

Os trâmites aduaneiros foram bem rápidos. Passamos rapidamente no Marco das Três Fronteiras do lado argentino, trocamos alguns pesos argentinos em Puerto Iguazu, onde o câmbio é bem melhor que na aduana, e às 12:00, saímos da cidade, pegando a RN 12 para seguir até Resistencia onde pernoitaríamos a próxima noite.

No meio do caminho, na ruta 12, vimos um caminhão tombado e mais dois carros que se envolveram num acidente.

Às 13:01 pegamos o primeiro pedágio argentino (4 pesos, equivalente a R$1,50 aproximadamente). Considerando que no Brasil passamos por 22 pedágios e gastamos R$161,80 (média de R$ 7,35), até que esse valor está bom demais. Ainda mais por que a RN 12 está asfaltada e muito boa.

Um pouco antes da cidade de Posadas, paramos para visitar as missões de San Ignacio. São ruínas onde viveram os colonizadores espanhóis há algum tempo atrás para explorar os índios nativos. Nessa região, tanto do lado brasileiro, quanto no lado argentino, quanto no paraguaio, próximo aos rios locais, existem várias ruínas, onde existiram vários desses povoados. O tempo de visita foi cerca de 40 minutos e, depois de um lanche, já estávamos prontos pra continuar nosso trajeto.

Seguimos adiante, abastecemos e em Corrientes vimos um motorista que estava tomando chimarrão, falando ao celular e ainda dirigia. Quanta imprudência!! Enfim, chegamos às 21:50 em Resistencia apenas para pernoitar com 2.180 quilômetros rodados. Encontramos um hotel perfeito: barato, com estacionamento (cochera) e sem café da manhã. Assim, poderíamos acordar e ir direto pra estrada, sem “perder” tempo com o café da manhã.

Dicas do dia:

1 – Trocar dolar ou reais por pesos argentinos em Puerto Iguazu. Pelo menos em 2013, com a inflação no país hermano, não compensa trocar com o câmbio oficial;
2 – Visitar as missões argentinas (pelo menos uma).
3 – Na Argentina, não peçam gasolina (que pode ser confundido com gas-oil). Peçam nafta super. Ou simplesmente “super”. E “lleno” para encher o tanque.

4º dia – 15/10: Resistência/ARG até Salta/ARG

Acordamos, tomamos banho e 8 horas da manhã já estávamos a caminho de Salta. Trânsito na saída de Resistencia, mas não perdemos muito tempo. Dia com direito a café da manhã dentro do carro: barrinha de cereal e água.

Entramos na RN 16, paramos próximo a Pres. Roque Saens Pena para comer alguma coisa (com direito a um “obrigado” em português do cara da lanchonete) e depois seguimos nosso traçado, num retão de mais de 300 km.

A RN 16 de uma forma geral está boa. Porém, hã um trecho de aproximadamente 50km, perto de Monte Quemado, que está com muitos buracos. Nesse percurso há postos de gasolina em vários lugares, sem a necessidade de levar gasolina extra, mas sempre tendo autonomia de pelo menos uns 150 km.

Em seguida pegamos a RN 9 com chuva e presenciamos mais um acidente numa curva meio fechada.

Por volta de 18 horas chegamos em Salta (apelidada de La linda) para ir no teleférico que vai até o Cerro San Bernardo. Porém, descobrimos que excepcionamente nos dias 15 e 16 o teleférico não funcionaria para manutenção. Tivemos que subir o morro de carro e avistar a cidade totalmente plana lá de cima. Um belo visual com o sol ainda no céu.

Fomos ao mercado comprar mais água e jantamos.

Completamos 3.000 quilômetros de viagem.

Dicas do dia:

1 – Salta é uma cidade bonita. Não é a toa, seu apelido “La linda”. Porém, quem conhece o Rio de Janeiro (a cidade maravilhosa), não vê nada demais nessa cidade.

2 – Conhecer o cerro San Bernardo, que pode ser acessado de carro ou de teleférico.

3 – Conhecer as quebradas da região e ir até Cafayate. Esse circuito será explorado mais à frente.

5º dia – 16/10: Salta/ARG até San Pedro de Atacama/CHI

Mais um dia, dessa vez com café da manhã a ser tomado no hotel. Com a barriga cheia, pé na estrada.

Abastecimento e às 9 horas pegamos a RN 9 novamente em direção a S. Salvador de Jujuy. A gasolina estava bem cara (8,5 pesos) em comparação com o ano anterior (4,6 pesos). Quase dobrou o valor. Em reais, aproximadamente de 1,70 para 3,00.

Na altura de S. S. de Jujuy pegamos a estrada com obras e com isso perdemos algum tempo, mas depois a estrada voltou a ficar boa e seguimos adiante.

Paramos em Purmamarca, já na RN 52, para visitar o Cerro de Siete Colores e seguimos rumo ao Chile.

Uma subida com um belo visual, onde transpomos Cuesta de Lipan e seguimos rumo à cordilheira dos andes.

Chegamos a mais de 4.000 metros de altura durante o trajeto. Muito vento e frio lá em cima. Pegamos 1 grau e gelo na estrada. Tomamos o tão badalado chá de coca para melhorar os efeitos da altitude. Não sentimos nada do “mal de altura”.

Às 19:30 depois de passar por Salinas Grandes e dar carona para um nativo, visualizamos o Salar de Olaroz e o Salar de Jama. Do lado direito da estrada, nos acompanhava o Salar de Tara.

O trâmite na aduana do Paso Internacional de Jama (fronteira entre Argentina e Chile) foi tranquilo. Lanchamos lá em cima e abastecemos um pouco.

Cruzamos a Argentina inteira sem sermos parados pelos guardas argentinos para conferir a documentação. A má fama de policiais corruptos não estão se confirmando conosco. Pelo contrário, sempre fomos bem tratados nas barreiras policiais.

A descida de de 4.400m até 2.200m em apenas 40km é de arrepiar.

Chegamos em San Pedro de Atacama (Chile) às 19:30, jantamos e resolvemos pernoitar nessa cidade, já que “perdemos” muito tempo curtindo o visual, que valeu muito a pena.

O plano era ir até Calama e chegamos a iniciar a estrada para tal cidade, mas com uns 2 km e com a noite já instalada, resolvemos ficar em San Pedro e ir no dia seguinte até Chuquicamata, mesmo tendo que acordar mais cedo.

Dicas do dia:

1 – Atravessar a cordilheira por essa região (paso de jama) é indescritível. Espetacular. Maravilhoso. Não dá nem vontade de piscar. Uma região incrível. Vá cedo e com calma para aproveitar cada momento mágico.

2 – Levar chá de coca é bom pra previnir o “mal de altura”.

3 – Há um posto de combustível em Susques e outro próximo a fronteira. É bom encher o tanque em Jujuy e, depois, colocar um pouco na fronteira pra evitar problemas.

4 – Vimos em alguns sites o possível consumo exagerado de combustível em razão da altitude (já que estamos sempre entre 2.000 e 4.600 metros). Porém, não sentimos isso. O consumo foi normal, na média de todo o trajeto. O Blacktona arrebentou!

6º dia – 17/10: San Pedro de Atacama/CHI

Apesar do pernoite ter sido o mesmo, saímos bem cedo de San Pedro rumo a Calama (100 km) para conhecer a maior mina de cobre a céu aberta do mundo: Chuquicamata.

Saímos da pousada, abastecemos no único posto local e pegamos a estrada pra Calama. Como a visita estava marcada para 13:00 (só tem uma visita por dia e tem que ser reservada com antecedência), resolvemos ir até o vilarejo de Lasana (situado num vale) e andar um pouco na RN 21 para ver mais de perto os vulcões a caminho da cidade de Ollague. Visual incrível no meio do deserto. Fomos até o km 65 e as condições da pista estavam excelentes de uma forma geral.

Às 13:00 chegamos no local marcado (o escritório da Codelco) para pegar o ônibus que nos levaria para conhecer a mina.

O percurso começa com a visita ao vilarejo onde moravam os trabalhadores até um tempo atrás. Depois de algumas explicações, seguimos para a mina propriamente dita. É algo impressionante. A produção é de 800 mil a 1 tonelada de cobre por dia, sendo a maior produção de cobre do mundo. A Ásia compra 45% do cobre produzido, sendo que somente a China compra 20%.

A visita à mina é gratuita, tendo que agendar previamente por e-mail (visitas@codelco.cl). Eles tem uma parceria de ajuda a crianças debilitadas e sugerem aos visitantes uma doação voluntária. Vale muito a pena essa visita.

Depois passamos no supermercado e cambiamos alguns pesos chilenos.

No fim da tarde, regressamos para San Pedro, onde ficaríamos mais alguns dias para conhecer os atrativos da região.

Dicas do dia:

1 – Conhecer a mina de Chuquicamata. Oportunidade única para quem está nas proximidades de Calama.

2 – Se possível, ir até a cidade de Ollague. Visual demais, demais, demais.

7º dia – 18/10: San Pedro de Atacama/CHI

O clima aqui nessa região é muito seco. A temperatura estava na casa dos 20/30 graus durante o dia. A noite esfriava bem. A cidade fica a 2.400 metros de altitude.

Dia de conhecer as lagunas altiplânicas (a 4.200m). Levamos nossa garrafa térmica com chá de coca pra previnir do “mal de altura”. Novamente não sentimos nada. Super tranquilo.

As lagunas Miscanti e Miñique são fantásticas. Visual indescritível que pode ser visto um pouco nas fotos.

Depois fomos na laguna Chaxa onde tem os flamingos, localizada dentro do Salar do Atacama. Lá tem uma trilha de pouco menos de 1km e pode ser feita tranquilamente apesar do sol muito forte.

Seguindo, visitamos o vilarejo de Toconao, onde estava tendo alguma festa local em homenagem a algum santo. Tomamos um sorvete e apreciamos a cultura local. Vale de Jere foi nossa próxima parada. Esse vale fica no meio do deserto. Um pequeno rio passa por ele e muda totalmente a paisagem com verde e árvores. Olhando só a parte de baixo, nem se diz que estamos no meio de um deserto.

Seguindo as visitas, fomos para a laguna Cejar. No caminho, um trecho com muita areia. Tivemos que ligar a tração pra passar seguro por esse trecho. Ao lado da laguna Cejar existe um lago com alta concentração de sal. Nesse lago é permitido entrar e o incrível: você não afunda devido ao alto teor de sal. Você flutua sem esforço algum. Muito esquisito. Na saída, a água seca rapidamente e você fica branco de tanto sal. Na entrada do parque, tem água doce pra tirar o excesso de sal.

No caminho mais adiante (11 km) tem os olhos do salar (ojos del salar), dois buracos de água doce onde a estrada passa no meio.

Mais 3 km e nossa última visita do dia: uma outra lagoa onde fizemos o lanche e vimos o por do sol às 19:30.

Regressamos a San Pedro, jantamos e fomos dormir.

Hoje encontramos um grupo de motociclistas de são Paulo que estavam vindo de Machu Picchu. Pegamos algumas dicas com eles, inclusive de que na Bolívia, há um certo desrespeito com os brasileiros, inclusive se negando a abastecer os carros brasileiros. Diante disso, das manifestações que são comuns interrompendo rodovias e da alta burocracia para entrar no país, resolvemos repensar a ideia de entrar na Bolivia.

Dicas do dia:

1 – Se estiver de carro, é tranquilo de fazer as lagunas altiplânicas mais Vale de Jere (conhecendo Toconao), laguna Cejar, Salar de Atacama, ojos del salar e ver o por do sol no salar em um dia. É só se planejar.

8º dia – 19/10: San Pedro de Atacama/CHI

Esse dia foi reservado para visitar os Geisers del Tatio. Dia de madrugar e acordar às 3:30. Contratamos um passeio, pois como íamos de madrugada e pegaríamos um trecho de 20km de condições ruins de estrada, resolvemos poupar o Blacktona.

Os geisers ficam a 95 km de San Pedro. Como é subida, levamos 1 hora e meia. O passeio é na madruga pois os geisers acordam cedo e às 10 da manhã já estão dormindo novamente, pois o tempo já esquentou.

Quando chegamos, um frio muito grande. Imagina você super agasalhado. Então coloque mais um casaco e ainda sentirá frio. E ainda esquecemos as luvas e gorro na pousada.

Esses geiseres são os mais altos do mundo, localizados a 4.300 metros. Dessa vez nem bebemos o chá de coca, mas também não sentimos nada do “mal de altura”. Do nosso grupo de 12 pessoas, somente uma mulher sentiu problemas com a altitude.

Tomamos café nos geiseres e o guia cozinhou ovos e esquentou a caixa de chocolate líquido (nescau) dentro de um deles.

Existem os geiseres de água (que chegam a mais de 50 graus celsius) e os de fumarola.

Depois de visitar a região, fomos até o povoado de Machuca, onde provamos churrasquinho de lhama. É equivalente ao nosso churrasquinho de gato. Lá também comemos uma empanada de queijo de cabra e uma soypapilla (ou algo assim), que nada mais é do que pão frito (pelo menos essa era a tradução em inglês).

As paisagens são muito bonitas e aproveitamos todos os momentos, já que na ida ainda estava tudo escuro.

Às 12 horas estávamos de volta à pousada e dormimos um pouco pra 15 horas sair novamente pra conhecer o famoso Valle de la luna.

No vale, visitamos uma caverna, o cañon do vale, as cordilheiras de sal, um mirador para o vulcão Lincancabur, as três marias (uma escultura de pedra feita pela natureza) e depois fomos ver o por do sol, após fazer uma pequena trilha ao redor da grande duna (cerca de 30 minutos).

Na trilha, várias vozes familiares (que falavam português).

O nome realmente é válido, pois parece bastante com a superfície lunar.

No fim do dia, decidimos não fazer mais La Paz e não rodar na Bolivia de carro.

Decidimos então adiantar o roteiro e seguir para Iquique no dia seguinte e deixar o tour do Salar de Uyuni e o tour astronômico para fazer na volta.

Queríamos muito fazer o tour astronômico, mas era época de lua cheia e, dessa forma, não é possível observar o céu, pois a luz da lua cheia ofusca as estrelas e as constelações.

O engraçado que quando estávamos chegando em San Pedro comentamos: “É lua cheia, o tour astronômico vai ser perfeito!! Santa Ignorância!!!”

Aqui encontramos um carro com a placa de Itaboraí – RJ !!!!

Dicas do dia:

1 – Os geiseres são bonitos. O frio é intenso. É óbvio que estando em San Pedro, vale a pena conhecer. Mas não crie grandes expectativas.

2 – Valle de la luna. Muito bonito. Visual maneiro. Da mesma forma, não crie expectativas. Mas também não deixe de fazer.

9º dia – 20/10: San Pedro de Atacama/CHI – Iquique/CHI

Como não fomos pra Bolívia, o roteiro foi adiantado e será só de estrada.

Partimos 8:30 de San Pedro e 9:30 estávamos em Calama para abastecimento. Como queríamos passar pela escultura “La Mano del Desierto”, pegamos a ruta sentido Antofagasta (contrário a Iquique) para ver a tal escultura.

O caminho de Calama para Antofagasta está excelente, asfalto muito bom.

Na altura do km 1425 da ruta 5 (panamericana), uma figura de um bicho de duas cabeças ou sei lá o que, desanhada numa grande duna, ao lado da panamericana esquerdo, no sentido Antofagasta.

Foram 364 km até a escultura (chegamos às 12:50 horas), localizada na ruta 5 (panamericana) a aproximadamente 75km ao sul de Antofagasta, no km 1308 da rodovia.

Depois paramos num posto Petrobras, onde havia almoço. O fizemos e seguimos viagem para Iquique, pela ruta 1, que beira o oceano pacífico.

O contraste de oceado de um lado, deserto do outro é muito bonito. Mesmo com neblina em algum pontos valeu muito a pena ir pelo litoral e não pela ruta 5 (panamericana). Curtimos muito o visual.

Chegamos em Iquique pouco depois das 20 horas. A ruta 1 possui apenas 1 pedágio, porém não há nenhuma estrutura (postos de gasolina ou algo para comer). Literalmente é mar de um lado e deserto do outro.

Chegamos no hotel e fomos descansar para seguir nosso novo roteiro.

10º dia – 21/10: Iquique/CHI – Arica/CHI

Dia de descansar até mais tarde. Tomamos um ótimo café da manhã. Saímos de Iquique às 15 horas e passamos em Humberstone, uma cidade que hoje está abandonada. Existem muitas casas da época em que era habitada (1872-1961). Muito interessante. Está localizada no encontro da ruta 16 (que vai a Iquique) e a Panamericana (ruta 5). Quase uma cidade fantasma.

Ficamos cerca de uma hora e meia e depois partimos para Arica. São 250 km de Humberstone até Arica. Todo o trecho asfaltado, porém alguns pontos estavam em obra.

Chegamos em Arica (que é a última – ou a primeira – cidade do deserto chileno) por volta de 21 horas e tivemos dificuldade em encontrar hotel com vaga. Estava tudo lotado. Meia hora rodando encontramos um com estacionamento e fomos descansar para entrar no Peru amanhã.

11º dia – 22/10: Arica/CHI – TACNA/PER

Saímos do hotel e subimos ao morro de Arica para ver a cidade de cima. Novamente o contraste da cidade localizada entre o mar e o deserto. Lá também tem a estátua do Cristo de la paz.

Seguimos pela ruta 11, em direção a Bolivia. A ideia era ir até a fronteira pois a estrada é muito bonita com vulcões perto da fronteira (Parinacota e Sajama). Subimos do litoral (0 metros) e fomos até 4.500 m, à beira do lago Chungará. Cenário belíssimo com o vulcão Parinacota imponente.

São 190 km até a fronteira, subindo, subindo, subindo. A mistura de subida e altitude fazem os carros sentirem um pouco e não foi diferente com o Blacktona. Íamos nos arrastando nas subidas mais íngrimes, mas superamos a altitude. Lá em cima, nós também sentimos um certo desconforto com a altura, mas nada demais.

Em frente ao lago Chungará existe um posto de informações e uma pequena trilha para ser feita e admirar a paisagem local.

Em seguida, regressamos em direção a Arica para pegar a panamericana e ingressar no Peru. Desta vez foi descida, descida e descida, indo dos 4.500m para o litoral (0 metros) novamente.

A aduana no Chile para sair foi super rápida. No Peru, para entrar, muita burocracia, mas tudo bem organizado. Levamos cerca de uma hora para sair do Chile e entrar no Peru.

Chegamos em Tacna e ganhamos 2 horas por causa do fuso horário, já que no Chile também tem horário de verão.

O trânsito aqui já é bem diferente do Chile. Bem desorganizado e vale a lei de quem joga o carro na frente, do mesmo jeito que havíamos lido antes da viagem. Mas Cusco dizem que é pior. Vamos ver…

Demos uma volta a pé no centrinho de Tacna. Todo mundo na cidade com casaco e Oswaldo de bermuda e camiseta. Isso rendeu um comentário de uma senhora que passava ao nosso lado: “Como puede, no sientes frio…”

Jantamos e fomos descansar para o dia seguinte ir até Nazca.

12º dia – 23/10: TACNA/PER – NAZCA/PER

Hoje aproveitamos as duas horas ganhas do fuso horário e saímos de Tacna às 9 horas (horário local). Cerca de 40 km depois de Tacna, pela ruta 1, paramos para controle veicular. O guarda carimbou o documento e estávamos prontos pra continuar.

Esta rodovia continua no meio do deserto. Areia de um lado e areia do outro. Percebemos que aqui há uma diferença entre os desertos do norte chileno e sul peruano: o do chile é mais pedregoso; o peruano é mais arenoso. Presenciamos até uma mini tempestade de areia no caminho!!!

Com o tanque cheio no Chile, ainda rodávamos com gasolina do país vizinho, mas já espionávamos nos postos o preço do combustível peruano. E em todos os postos o preço da gasolina era aproximadamente 13 nuevos soles, o que seria aproximadamente 10 reais. Pensamos estar vendo errado, mas a cada posto confirmamos a informação: 13 nuevos soles.

Bom, seguimos viagem com aquilo na cabeça… afinal, não havia o que fazer.

A ruta estava boa e é utilizada por muitos caminhões. Os dois primeiros pedágios da rodovia só eram cobrados no sentido sul, ou seja, pra entrar no país, siga a vontade; agora pra sair, tem que pagar pedágio.

Na entrada de Arequipa, tínhamos que abastecer e novamente o mesmo preço de 13 nuevos soles. Quando nos aproximamos da bomba, olhamos que o preço era por galão e quando perguntamos ao frentista, nos disse que o galão tinha 3,85 litros. Ufa!!! Fazendo as contas, dá um valor parecido com o do Rio de Janeiro. Aqui existem 3 tipos de gasolina (84, 90 e 95). Segundo o frentista, a 84 tinha chumbo e a 90 e 95 eram sem chumbo. Enchemos o tanque com a G90 então.

Chegávamos ao km 6000 da viagem. A ruta 1 (panamericana do Peru), depois de Arequipa (sentido Lima), possui muito mais caminhões. Trânsito bem pesado.

Em Camaná, no litoral (a 130 km de Arequipa e 390 km de Nazca), tem uma estrutura boa para algum imprevisto e pernoitar.

Percebemos que os postos de gasolina do Peru, diferente de Brasil, Argentina e Chile, não tem as lojas de conveniência para fazer um lanche. Desta forma, o lanche é feito no Blacktona mesmo.

Seguindo estrada, fomos até Nazca, onde chegamos por volta de 21 horas.

Boa parte do litoral entre Camaná e Nazca é bem recortado e a estrada acompanha esse recorte, fazendo com que demorássemos bastante pra chegar no destino do dia.

13º dia – 24/10: NAZCA/PER – ICA/PER

Hoje acordamos cedo e às 8:30 já estávamos no aeroporto de Nazca para fazer o vôo sobre as famosas linhas de Nazca.

Tudo muito bem organizado no aeroporto e um balcão de informações turísticas. Pegamos as informações do local, além de Cusco, Puno e Arequipa. Ótimo serviço.

Em relação ao vôo, são aproximadamente 8 companhias que oferecem o serviço pelo mesmo preço e com o mesmo roteiro. Perguntamos em 3 e confirmamos a informação. Escolhemos uma e nos preparamos para o vôo. Além do vôo é necessário pagar a taxa de embarque no aeroporto.

Ficamos esperando aproximadamente 1 hora e meia até o avião subir para ver as 12 figuras desenhadas no chão.

Foram 4 passageiros: nós dois e mais 2 sul coreanos.

O avião subiu e não conseguimos enxergar a primeira figura de jeito nenhum: uma baleia.

Logo na segunda figura (trapézio), Oswaldo sente um enjôo e parecia que ia pintar as figuras com todo o café da manhã.

Com o enjôo ainda incomodando, porém controlado, o vôo continua com as figuras do astronauta, macaco, colibri, aranha, entre outras.

São aproximadamente 30 minutos de vôo. A expectativa era bem maior e com isso não gostamos muito do que vimos lá de cima. Deixou a desejar. Mas é o tipo de passeio que é obrigatório fazer.

Seguimos para o Cemitério de Chauchilla, onde existem 12 tumbas com restos mortais dos antigos da região, que mumificavam os mortos, extraindo o cérebro e as vísceras e colocando ervas e outros produtos para preservar o cadáver.

Voltamos para o centro de Nazca para cambiar mais uns nuevos soles e seguimos para Ica, onde ficaremos no Oásis de Huacachina por 2 noites.

Saímos de Nazca às 15 horas e seguimos pela panamericana, sem problemas, para chegar em Ica às 17:30 horas.

Contratamos os passeios para o dia seguinte, fomos jantar e descansar.

14º dia – 25/10: ICA/PER

Hoje acordamos às 6 horas, pois tínhamos que estar na porta do hotel às 6:40 para fazer o passeio de barco em Parakas, até as ilhas Ballestras.

Quando acordamos, percebemos que havíamos pago os passeios, porém não havíamos pego nenhum recibo. E então como reclamar se algo desse errado, já que não tínhamos comprovante de que tínhamos pago os passeios…

Bom, na hora marcada, o moço do passeio estava lá e não tivemos problema algum. Tudo conforme combinado. Ainda fizemos o passeio com um casal de inglês (ele) e cubana (ela) que deixaram seus empregos na Inglaterra para passar 6 meses viajando pela América do Sul. Uau!

O passeio de barco saia de Parakas, onde teve um forte terremoto de escala 7.9 com duração de 2 minutos em 2007. A cidade de Pisco foi totalmente destruída, além de muitas coisas ao redor.

Seis anos depois, a cidade já está bem recuperada e o passeio, que durou cerca de 1 hora e meia, mostra toda a fauna local, com pinguins, lobos marinhos, cormoranes e pelicanos.

Depois ingressamos no parque nacional de Parakas e vimos sua formação, que ali, em pleno deserto, já foi fundo do oceano, antes do choque das placas tectônicas de Nazca e Sulamericana.

O terremoto citado também destruiu um cartão postal do parque, onde havia uma catedral esculpida na pedra. Até hoje é possível ver as rachaduras na rocha, proveniente do terremoto.

Vimos algo curioso: a pista onde passa os carros dentro do parque são feitas de sal, mas parecem um asfalto ruim. Isso se dá por que os pneus dos carros vão se desgastando e ficam grudados no sal da pista.

No final, visitamos uma praia cuja areia tem um tom avermelhado devido aos sedimentos das rochas vulcânicas da região.

Em seguida, fomos à uma outra praia para almoçarmos e mergulhamos no Oceano Pacífico.

Voltamos para o hotel e fomos fazer o passeio de bugre nas dunas que ficam ao redor da laguna de Huacachina.

Foram 2 horas de passeio com paradas para tirar fotos e fazer o sandboard (descer de prancha nas dunas). Começamos com as dunas pequenas e no final fomos presenteados por uma imensa duna.

15º dia – 26/10: ICA/PER – NAZCA/PER

Hoje acordamos cedo novamente para ficar os últimos momentos no Oásis de Huacachina.

Às 11:30 fomos embora rumo a Nazca novamente.

Fizemos os últimos passeios(visita dos aquedutos construídos pelas civilizações antigas para captar água dos rios que ficavam distantes, os paredões, onde os trabalhadores faziam seus serviços e outras linhas mais simples que as famosas de Nasca).

Numa das ruínas visitadas, um garoto, que aparentava uns 9 anos, foi nosso guia. Ele contava empolgado tudo o que sabia. E, no final, agradecemos com muito entusiasmo. Deixamos com ele, balas e um boné do Brasil, além de chaveiros do Rio de Janeiro para seus pais. Ele e seus pais ficaram muito felizes com as lembrancinhas do Brasil.

Jantamos mais cedo num excelente restaurante (La Encantada, que fica na Calle Bolognesi) e vimos o tour astronômico a noite, que falou sobre a teoria das linhas na perspectiva de Maria Reiche, tratada como deusa pelos peruanos no quesito Linhas de Nasca. Segundo seus estudos, as linhas serviam para fazer rituais e tinham características astronômicas e ligavam algumas linhas a fontes de água.

Uma das várias curiosidades é que uma linha reta dava certinha com o nascer do sol no solstício de verão. Incrível !!

Depois fomos dormir para pegar estrada pesada no dia seguinte rumo a Cusco.

16º dia – 27/10: NAZCA/PER – CUSCO/PER

Saímos da cidade às 6:15, pois sabíamos que o dia ia ser longo. Eram apenas 650 km a serem percorridos, porém um sobe e desce danado. Dizem que aqui no Peru não se mede a distância em km e sim em horas. Pois bem, ficamos sabendo que o tempo em média é de 13 horas pra fazer esse percurso, mas como hoje era domingo, tinha menos caminhões nas estradas.

A estrada que liga as duas cidades é espetacular. Muito bonita e em bom estado, exceto nos últimos 90 quilômetros antes de chegar em Cusco.

Pudemos observar a saída do deserto pra entrada numa área muito úmida. Inclusive pegamos um temporal no meio do caminho.

Passamos por Abancay, onde tem alguma estrutura, mas se possível, evite pernoitar na cidade. Não há nada de interessante.

Percorremos os 650km em 12 horas, chegando em Cusco por volta de 18:30. Procuramos um hotel perto da Plaza de Armas, fomos jantar e dormir.

17º dia – 28/10: CUSCO/PER

Hoje de manhã tomamos café e fomos andar pelo centro de Cusco. Visitamos alguns museus da cidade e à tarde, as ruínas que ficam mais perto do centro. Sentimos um leve desconforto pela manhã, algo esquisito na cabeça, mas nada demais. Talvez por causa da altitude. À tarde, já estávamos bem.

Cusco é uma cidade grande e o trânsito não foi tão ruim quanto havíamos lido. Achamos bem normal de cidade grande. Nada demais, nem de bizarro, nem de caótico.

O tempo ajudou bastante durante o dia, mas a noite choveu um pouco, o que não atrapalhou nossos planos. Vimos um show de dança nativa.

18º dia – 29/10: CUSCO/PER – OLLANTAYTAMBO/PER

O dia de hoje foi reservado para visitar as ruínas mais afastadas da cidade.

Primeiro, fomos a Pisac, cerca de 40km de distancia. Uma bela visão do que foi construído há algum tempo. As ruínas de Pisac são bonitas e chamam muita a atenção.

Passamos na feirinha da cidade e partimos para Chinchero. Ao chegar no estacionamento, um temporal com direito a chuva de granizo nos recepcionou. Foram 25 minutos e depois o sol voltou. Conhecemos as ruínas e partimos pra próxima.

A próxima parada foi Moray, o que nos surpreendeu positivamente. Uma bela ruína construída pra baixo do terreno em forma circular, onde a temperatura chegava a ser 10 graus mais quente do que “em cima”… muito sinistro.

Fim do dia, partimos pra Ollantaytambo onde passaríamos a noite. Nos arredores do povoado, um mega trânsito. Havia uma festa na cidade e o trânsito estava parado, pois não tinha como entrar nem sair da pequena cidade.

Depois de mais de uma hora na fila, um policial conseguiu organizar tudo e os carros saíram da cidade, permitindo que os que queriam entrar o fizessem. Depois disso, caçamos um hotel perto da estação de trem pra ir a Machu Picchu no dia seguinte.

19º dia – 30/10: OLLANTAYTAMBO/PER – MACHU PICCHU/PER – OLLANTAYTAMBO/PER

Dia de ir a Machu Picchu. Finalmente o dia do principal objetivo da viagem.

Acordamos às 4 horas da manhã para pegar o trem que sairia às 5:07. Pontualmente, o trem deixou Ollantaytambo rumo à cidadela de Aguas Calientes.

Às 6:30 chegamos na estação de Águas Calientes e corremos para pegar um ônibus que nos levaria até as ruínas de Machu Picchu. São aproximadamente 25 minutos de subida num zigue-zague.

Chegamos à entrada do parque, onde há banheiros a 1 nuevo sol e controle de acesso e informações das ruínas com direito a um mapa.

Finalmente começamos nossa peregrinação às 7:30 e fizemos uma trilha até umas ruínas escondidas chamada intipunku, pois havia muita neblina e não conseguíamos ver direito as ruínas principais de MP.

Cerca de 1 hora e meia para ir, admirar e voltar. Em seguida, nos preparamos para subir o Wayna Picchu, que fica de frente para o povoado de MP.

Levamos 50 minutos numa subida pesada com desnível de aproximadamente 300 metros. Porém cada esforço foi compensado com o belo visual (já sem neblina) do ‘pueblo’ de MP.

Muitos brasileiros estavam no local, inclusive um vascaíno, onde dedicamos nosso esforço para que o Vasco não caia novamente para 2a divisão. Em vão, pois no final do ano, o time foi rebaixado… de novo.

Depois de apreciar a bela paisagem, descemos e continuamos nossa visita ao local, indo também até a ponte inca, uma impressionante ponte feita de pedra sobre pedra.

As ruínas de MP são impressionantes, deslumbrantes e magníficas. Só conseguimos sair de lá por volta de 16 horas, pois não cansávamos de olhar tudo.

Isso por que nosso trem partiria de Águas Calientes de volta a Ollantaytambo às 17:27, se não acho que ficaríamos até o anoitecer por lá, admirando o local.

Descemos o zigue-zague novamente de ônibus, andamos uns 30 minutos pelo povoado ao redor da estação e pegamos o trem de volta a Ollantaytambo, onde estava o Black.

Dormimos na cidade e desacansamos para o dia seguinte.

20º dia – 31/10: OLLANTAYTAMBO/PER – PUNO/PER

Saímos do hotel de Ollantaytambo cedinho, pois ainda visitaríamos as ruínas da cidade e mais duas no meio do caminho.

As ruínas locais são bonitas, porém sem grandes novidades em relação às já visitadas. A diferença são as figuras do rei e um silo construído para armazenar os alimentos que podem ser vistos na montanha em frente.

Pegando o carro, seguimos por Urubamba, Pisac e depois paramos nas ruínas de Pikillacta, que é bem diferente das já visitadas. Possui uma muralha ao redor, como se delimitasse a região dos moradores. Além disso, tem grandes paredes internas. Muito bonita.

Continuando, fomos a Raqchi, antes do povoado de San Pablo, na altura do km 1089 da rodovia 3S.

Aqui também vale uma visita, pois é uma cultura diferente.

Seguindo o caminho, que é muito bonito também, pegamos uma leve chuva antes da cidade de Juliaca.

Atravessar Juliaca foi uma experiência não muito agradável: muito trânsito, vento, poeira e muitos buracos no asfalto, pois estava tudo em obra. Vencida essa etapa, seguimos, já a noite, os últimos 40 km para Puno.

Uma observação que às 18:30 horas o céu já está completamente escuro, como se fosse já super tarde da noite.

Nos últimos km antes de Puno pegamos uma chuva forte, mas em Puno já não estava mais chovendo.

Porém, como era dia das bruxas, a cidade estava cheia de crianças pedindo doces e pessoas circulando nas ruas… mais do que o normal.

Paramos o carro próximo a Plaza de Armas, já que não havia condições de circular de carro, e fomos a caça de um hotel.

Passamos em frente aos informes turísticos e fomos lá. Encontramos um moço bem atencioso e educado e explicamos que estávamos de carro e queríamos um hotel com estacionamento e ele prontamente resolveu nos ajudar. Disse que era perigoso estacionar o carro (com placa de outro país) na rua e saiu correndo perguntando onde estava o carro.

Quando chegamos no carro, verificou se estava tudo ok e fomos a caça de hotéis com estacionamento. Logo chegamos em um, porém não havia mais quartos livres, porém deixamos nosso carro no estacionamento deste hotel, pois seria difícil achar um hotel na cidade com estacionamento e barato.

Fomos, então, procurar um hotel sem estacionamento. Achamos rapidamente um bem econômico, sem café da manhã.

Terminamos o dia jantando e andando nas ruas cheias de gente na cidade de Puno, à beira do lago Titicaca.

Aproveitamos e demos algumas balinhas para as crianças que estavam sedentas por ‘gostosuras’.

21º dia – 01/11: PUNO/PER

Hoje fomos conhecer as famosas ilhas flutuantes de Uros. São ilhas feitas de Totora (uma planta), onde sobre elas vivem diversas famílias.

São cerca de 75 ilhas construídas com essa planta que serve para tudo: alimentação, remédio, roupas, artesanatos e até construção das casas e barcos.

Impressionante a cultura local. Cada ilha dessas demora cerca de 1 ano para ser construída. Elas tem que ficar ancoradas, senão as ilhas podem “andar” pelo lago e invadir o lado boliviano.

Comemos uma truta frita feita pelos nativos e admiramos as belas construções de plantas. Provamos também a totora, com sabor diferente, agradável e refrescante.

À tarde, fomos até o mirador da cidade e ficamos cerca de 1 hora admirando o lago Titicaca.

Jantamos e decidimos ir até copacabana (Bolívia) no dia seguinte, de ônibus, voltando no mesmo dia para Puno, para depois seguir para Arequipa.

22º dia – 02/11: PUNO/PER – COPACABANA/BOL – PUNO/PER

Conforme programado, pegamos o ônibus de 7:30 que ia pra Copacabana. São aproximadamente 3 horas de viagem mais a aduana, que leva uns 20 a 30 minutos. Nesta aduana, entre Yuguyo (ou algo assim) e Copacabana, existe uma casa de câmbio oficial e outras pessoas que também trocam moeda.

Trocamos alguns bolivianos e seguimos até Copacabana, que fica a 8 km da fronteira.

Copacabana é bem pequena e os principais atrativos são a catedral, o cerro calvário e as ilhas do sol e da lua.

Ao chegar na cidade, fomos conhecer a catedral, muito bonita, com muitas peças e enfeites de ouro dentro.

Em seguida, tomamos um desayuno boliviano que tem a carne, ovos fritos e batata frita em seu menu.

A intenção era subir o cerro calvário para admirar copacabana do alto, porém, como existe uma hora de fuso horário, perdemos 1 hora ao entrar na Bolívia. E isso estragou nossos planos. Como tínhamos a lancha para a ilha do sol às 13:30, fomos somente até o meio do cerro, onde pudemos apreciar a paisagem e descemos correndo pra não perder a lancha.

Garantidos na lancha, fomos navegando no lago Titicaca, o lago navegável mais alto do mundo (3.810m).

São aproximadamente 80 minutos até a ilha, numa velocidade alucinante (cerca de 12km/h)…

Lá na ilha fizemos uma caminhada de cerca de 1 hora e meia numa altitude de quase 4.000 metros. Não sentimos nada, pois já tínhamos passado por Cusco (a 3.600 aproximadamente) e por Puno (a 3.850m) e já estávamos aclimatados. Visual fantástico dessa parte do lago. Tivemos a impressão que o lago na altura de Copacabana é mais bonito do que no lado peruno de Puno.

Conhecemos um boliviano que também estava passeando. Ele é de uma cidade pequena, próxima a tríplice fronteira entre Peru, Bolívia e Brasil. Sua namorada é brasileira, de Belém, e se casarão ano que vem.

Perguntamos pra ele o lance do abastecimento e ele confirmou a informação, dizendo que em alguns lugares realmente estava acontecendo essa rivalidade com os brasileiros. Parece que tomamos a decisão certa, apesar de que até Copacabana não haveria problema. Mas até La Paz já seria outra história…

Ao final do passeio, voltamos ao centrinho de Copacabana e às 18:30 pegamos o ônibus de volta para Puno.

Agora nós ganharíamos 1 hora de fuso horário. Aduana tranquila. Chegamos em Puno por volta de 20:40 hrs e ainda fomos jantar.

23º dia – 03/11: PUNO/PER – AREQUIPA/PER

Acordamos às 7 da manhã, saímos do hotel, fomos buscar o Black na garagem e fomos até o mirador mais alto da cidade. Observamos mais uma vez a cidade do alto e partimos para Arequipa.

Até aqui já rodamos 8.500 km e tudo está conforme programado, exceto o fato de não rodarmos dentro da Bolívia de carro.

Passamos por Juliaca novamente, mas como era domingo, o trânsito estava melhor, mas ainda assim conturbado. Tivemos que passar dentro da cidade novamente, pois estava em obras.

Enfim pegamos a ruta 30B que inicia em Arequipa. Pela primeira vez fomos parados pela polícia para conferência de documentação. Tudo ok, seguimos viagem.

Montanhas e lagos enfeitam a estrada que está a cerca de 4.400 metros. Pegamos um pouco de chuva, mas sem maiores problemas. Rolou até chuva de granizo.

Chegamos por volta de 15 horas e fomos caçar hotel. Achamos um interessante com estacionamento.

Aproveitamos pra visitar o Monestério de Santa Catalina, o mesmo que visitamos em Cusco. Porém, aqui em Arequipa, é o original. Ficamos cerca de uma hora conhecendo.

Decidimos, também, fazer o Cañon del Colca no dia seginte. Dessa forma, descansamos para acordar as 3 da matina pra fazer o passeio de um dia.

Como não havíamos programado passar em Arequipa, resolvemos fazer o passeio do cañon del colca contratando um passeio, até por que sairia bem cedo pra dar tempo de ir e voltar. Seria muito cansativo ir por conta própria, além de que boa parte do caminho é bem ruim.

24º dia – 04/11: AREQUIPA/PER

Acordamos às 2:30 e às 3 já estávamos na recepção do hotel esperando a van.

Chegamos na cidadezinha de Chivay para tomar café por volta de 6:30 da manhã.

Paramos em dois miradores e enfim chegamos ao tão badalado Mirador da Cruz de Condor, onde é possível admirar a imensidão do cânion (cañon em espanhol).

Aqui também tem uns vôos de condores, porém só avistamos 2.

Seguindo, conhecemos o pueblo de Maca, onde experimentamos o Colca Sour (a variação do Pisco Sour, bebida típica do Peru, da cidade de Pisco).

Passamos depois em um local onde havia águas termais onde ficamos por volta de 40 minutos.

Almoçamos em Chivay e regressamos a Arequipa. No caminho, ainda passamos por dois locais: o primeiro, um mirador a 4.900 m, de onde é possível avistar 3 vulcôes da região; depois, passamos num santuário de lhamas e alpacas, dois animais símbolos do país.

De volta a Arequipa, fomos ver o pôr do sol num restaurante mirador, regado a milk shake de morango.

25º dia – 05/11: AREQUIPA/PER – ARICA/CHI

Dia de dar adeus ao Peru. Tomamos um café da manhã reforçado e fomos ao mirador Carmen Alto, distante 5km do centro de Arequipa: visual de cara pros 3 vulcões que rodeiam a cidade: o Misti, o mais imponente; o Pichu Pichu e o Chachani.

Com o tempo perfeito, nos despedimos da cidade e seguimos adiante.

Às 11 horas já estávamos na panamericana, no sentido sul, para ingressar no Chile novamente.

Mais uns quilômetros e chegamos na fronteira com o Chile novamente às 15:20 hrs.

Uma hora de burocracia nas duas aduanas e chegamos em Arica (20 km da fronteira) às 18:30 por causa da “perda” de duas horas (fuso horário) na saída do Peru e entrada no Chile.

Nos apressamos, achamos o hotel indicado pelo cara da aduana e subimos o morro de Arica para ver o pôr do sol no Pacífico.

Jantamos, tomamos um sorvete e fomos dormir para seguir de volta a San Pedro de Atacama no dia seguinte.

26º dia – 06/11: ARICA/CHI – SAN PEDRO DE ATACAMA/CHI

Acordamos cedo, tomamos café da manhã e partimos rumo a San Pedro de Atacama. A Ruta Panamericana na altura do Km 1750 estava em obras devido aos deslizamentos de encostas. Ficamos parados por aproximadamente 45 minutos esperando a liberação da pista.

Depois do entroncamento da panamericana (ruta 5) com Humberstone (entrada para Iquique), na altura do km 1740, um desvio devido a obras na rodovia. A rodovia está boa de uma forma geral. E o trecho que está ruim está sendo reparado.

Passamos pelo salar de Bellavista e em seguida pelo salar de Llamara.

Entre as regiões I e II, na altura do km 1640, tem uma aduana de controle. Só carimbo e seguir “adelante”.

No km 1623 alguns geoglifos nas “montanhas” ao lado da estrada.

Neste trecho, entre Arica e o entroncamento que vai pra Calama, pela panamericana, os postos de gasolina são escassos. Existem postos fartos em Arica, depois em Pozo Almonte (na altura da saída para Iquique) e depois em Oficina Victoria.

Abastecemos em Calama e finalmente chegamos em San Pedro de Atacama, antes das 19 horas, completando os 700 km do dia.

Jantamos e fomos fazer o tour astronômico, onde observamos a lua, vênus, uma nebulosa, as plêiades e um outro conjunto de estrelas, entre elas, escorpião, sagitário e cisne.

Interessante que o tour foi feito só com brasileiros.

27º dia – 07/11: SAN PEDRO DE ATACAMA/CHI

Dia de acordar mais tarde e relaxar nas águas quentes da Termas de Puritana. Arrumamos as malas para ir ao Salar de Uyuni no dia seguinte.

Serão 4 dias onde deixamos o carro em San Pedro e fizemos uma excursão para a Bolívia.

28º dia – 08/11: SAN PEDRO DE ATACAMA/CHI – SALAR DE UYUNI/BOL

Acordamos cedo e tomamos um bom banho, para passarmos os próximos 4 dias no incrível Salar de Uyuni. Pegamos o micro ônibus em San Pedro que nos levaria até a fronteira. Ainda paramos para tomar café num hotel e fizemos os trâmites aduaneiros (saída do Chile) ainda em S. Pedro. Aqui, quem vai sair para Bolívia (via Hito Cajones) ou sair para argentina (via Paso Sico) tem que fazer os trâmites em S. Pedro, pois não há aduana na fronteira geográfica.

Até ai tudo ok, seguimos os 50 km até a fronteira com a Bolívia, onde fizemos os trâmites na aduana. E ai começa o stresse do passeio, que nem começou ainda… Fomos pegar nosso carro 4×4 para fazer o tour. Nisso perguntamos ao responsável pela administração do passeio, que foi comprado na agencia COLQUETOURS, qual seria o nosso carro. Vimos o cara coçar a cabeça e nos apontar um carro onde iam outros 4 brasileiros. Porém, como já haviamos conversado com estes brasileiros anteriormente, sabiamos que eles iam fazer o tour em 3 dias e não 4 dias, como nós.

Na mesma hora Fabiana, que mal sabe falar espanhol fez um “barraco” em “Portunhol” dizendo que haviamos contratado o tour de 4 dias e não de 3 dias. O cara começou a ficar nervoso e disse que poderiamos convencer os demais a fazerem o tour de 4 dias (absurdo!), nisso explicamos novamente que aquele não era o passeio que haviam nos vendido e que não iamos fazer o de três dias, e ai o cara nos disse que só havia aquele carro e que faríamos o circuito ao contrário do que compramos. Reclamamos mais uma vez, mas a essa altura não tinhamos mais o que fazer, afinal não havia outro carro. Tentamos achar um lado positivo na situação: de repente poderia ser melhor, pois invertendo o sentido do passeio, a última noite seria a mais alta (e fria!). Poderíamos ir nos aclimatando aos poucos. Porém, nem imaginavamos o que ainda estava por vir…

Lá fomos nós num carro só com brasileiros. E mais: só com cariocas. Isso mesmo, 6 cariocas dentro de um carro num tour na Bolívia. Sorte ou azar? Haviam representantes de todos os clubes: 3 tricolores, um vascaíno, uma botafoguense e um flamenguista.

E todos trabalhando no centro do Rio ou próximo.

Na ida, passamos nas lagunas branca e verde e seguimos para almoçar em Itália perdida, uma região maravilhosa, com diversas pedras, montanhas e vulcões que enfeitam o local.

Além da confusão que o cara da COLQUETOURS fez com a gente, o guia, que era muito gente boa, disse que também achava que ia fazer o tour de 4 dias com todas as 6 pessoas. Admnistração horrível da COLQUETOURS.

Seguimos e chegamos em Uyuni a noite, por volta de 19 horas. A cidade estava sem água por causa das obras.

Aqui, outra discussão. Quando chegamos, nos disseram que só haviam 2 quartos triplos para as 6 pessoas. Tudo bem que “compramos” hospedagem em quartos compartidos, mas separar algum casal já era demais (eram 3 casais).

Reclamamos e arrumaram um quarto duplo. Dessa forma cada casal ficou num quarto separado: melhor do que o prometido.

29º dia – 09/11: SALAR DE UYUNI/BOL

Acordamos com a promessa de água para tomar um banho rápido. O casal de copacabana acordou mais cedo e conseguiu tomar banho, porém nós e os tijucanos não conseguimos.

Tomamos café e como ainda havia água no quarto do pessoal de copacabana, fizemos fila pra tomar banho lá. Os tijucanos conseguiram. Nós não. Tudo bem, afinal já era esperado. A água era lucro.

Hora de nos separar dos dois casais, pois nós íamos fazer 4 dias de tour e eles apenas 3.

Nisso conhecemos nossos novos companheiros. Dois casais: uma menina da Espanha e um americano do Havaí; uma da Ucrânia e um da Rep. Tcheca.

Conseguíamos nos comunicar melhor com a espanhola por causa do idioma, mas todos eram legais. Com os do Leste Europeu só falávamos palavras-chaves.

Nesse dia passamos no cemitério de trens, povoado de Cauchani e finalmente entramos no Salar de Uyuni, o maior do mundo. Realmente é imenso. Como se fosse uma gigantesca praia toda branca de sal. Incrível!!!!

Conhecemos a ilha de Incahuasi e fomos dormir no hostal de sal. Cama e mesinhas feitas de sal. Somente o banheiro que era “normal”. Aqui tomamos um bom banho quente e fomos conhecer uma caverna. Como a região já foi fundo do oceano, admiramos os corais fossilizados, além das estalactites e estalagmites. Depois fomos jantar e descansar.

Durante a janta descobrimos então que a COLQUETOURS comprou um pacote para nós. Ou seja, estavamos fazendo o passeio com outra empresa e não com a qual compramos o tour. A administração da Colquetours é zero!!

30º dia – 10/11: SALAR DE UYUNI/BOL

Acordamos, tomamos café e fomos em direção ao vulcão Ollague, junto à fronteira com o Chile.

Depois fomos conhecer as lagunas altiplânicas dessa região: Hediondas, Honda, Remaditas e outras duas que esquecemos os nomes.

Chegamos na Laguna Colorada, a 4.300 metros de altitude. Um vento frio pairava na região.

Hoje conhecemos lugares lindos e diferentes do que estamos acostumados a ver.

Dormimos em quartos compartidos com o grupo que estava no nosso tour. E nada de banho, o alojamento nem tinha chuveiro. Aqui tivemos que usar nosso saco de dormir, pois fazia bastante frio.

31º dia – 11/11: LAGUNA COLORADA/BOL – SAN PEDRO DE ATACAMA/CHI – PURMAMARCA/ARG

Hoje acordamos às 04:30 a mais de 4.000 metros num frio danado. Tínhamos que tomar café às 5 horas pra sair às 05:30. Vimos o amanhecer nessa região desértica: fantástico!!

Pegamos o carro que nos levava e começamos a empreitada final. Logo no começo, nosso guia parou para ajudar outro carro de passeio que havia furado um pneu. Depois de tudo resolvido, na hora que o guia foi dar a partida o carro não ligou: bateria descarregada. E ai fomos nós que precisamos de ajuda. Prontamente o motorista do outro carro nos ajudou. Toda região com muito vento e frio.

Em seguida, nosso guia se perdeu e fomos parar direto no SEGUNDO ponto turístico do dia: as águas termais. Será que é porque tinha um vascaíno no carro? Desta forma, deixamos de conhecer os geiseres. Quando começamos a questionar o guia se não iriamos conhecer os geiseres, ele disse que não havia mais tempo e que estava passando mal e começou a mascar folha de coca.

Seguindo, conhecemos o deserto de Dalí e as lagunas verde e branca. Árvore de Pedra também muito bonita. Quando chegamos na fronteira fomos direto falar com o cara da COLQUETOURS, que estava próximo ao ônibus que tinhamos ido no primeiro dia, afinal não sabiamos se a COLQUETOURS estava contando com a nossa vaga para nos levar da Fronteira da Bolívia até San Pedro. O guia com o qual estavamos fazendo o passeio disse que era a COLQUETOURS que deveria nos levar ao Chile. Fabiana, já chegou perguntando se eles levariam a gente, pois desde o início tivemos problemas com o tour vendido. Acho que o cara nos reconheceu, pois não deu muito papo e disse que poderiamos ir no ônibus. Fizemos os trâmites fronteiriços e embarcamnos no ônibus. Minutos depois confirmamos nossa suspeita… duas pessoas foram em pé, ou seja a COLQUETOURS não estava contando com a gente. Ainda bem que não chegamos atrasados na fronteira, senão acredito que teriamos que nos virar para chegar em San Pedro. Aqui, na fronteira de Hito Cajones, é necessário descer até San Pedro para ingressar legalmente no Chile.

No ônibus, conhecemos mais um casal de brasileiros de São Paulo.

De volta à cidade, fomos almoçar, formalizar a reclamação na agência da COLQUETOURS e pegar o Blacktona novamente.

Tudo ok, e partimos às 14:25 de volta ao Paso de Jama para entrar nà Argentina.

Pensamos que íamos sofrer muito mais pra atravessar a íngreme subida. Porém, o carro respondeu bem e às 16:40 estávamos tramitando a saída do Chile e entrada na Argentina.

Lá em cima, tem um posto de gasolina, uma lanchonete com wi-fi e uma hospedagem ACA. Pensamos em ficar lá, mas resolvemos adiantar expediente e passar a noite em Purmamarca e ver o por do sol no Salar Grande.

Viemos tranquilo, sem grande quantidade de carros, vimos o por do sol, o Black andou um pouco no salar e antes das 21 horas estávamos no vilarejo de Purmamarca.

32º dia – 12/11: PURMAMARCA/ARG – SALTA/ARG

Como ainda estávamos com o horário da Bolívia (1 hora a menos), acordamos, sem querer, uma hora mais tarde. Mas nada que tenha atrapalhado os planos.

Seguimos a Humahuaca (pela RN 9 na direção à fronteira com a Bolívia), onde chegamos pouco antes das 12 horas para ver o “cuco” de São Francisco “sair” da janela da igreja e abençoar aos que estavam na praça exatamente às 11:57 (embora nos tenham dito que era pontualmente às 12 hrs).

Conhecemos a cidadela, fomos ao mirador para ver a famosa Quebrada de Humahuaca e seguimos a Tilcara. No meio do caminho, paramos no marco do trópico de capricórnio.

Em Tilcara, fomos no museu arqueológico e no Pucará (fortaleza) de Tilcara, de onde se tem uma ótima visão da região. Várias fotos e seguimos a Salta para descansar, onde chegamos às 19:00.

A gasolina aqui surpreendeu: rodamos mais de 700 km com um tanque. Média de 12,63 km/l.

33º dia – 13/11: sALTA/ARG – CAFAYATE/ARG – SALTA/ARG

Tomamos café e fomos fazer o circuito até a cidade de Cafayate, indo pelas rutas 33 e 40 (rípio) e voltando pela 68 (asfalto).

Iniciamos com a bela Cuesta del Obispo, uma serra com visual incrível e chegando ao ponto mais alto da região com 3.457 m, em Piedras Molinas.

Seguimos pela reta Tin Tin, onde o vento atinge altas velocidades e paramos em diversos miradores que existem na estrada. Dentro do PN Los Cardones, admiramos vários cactus (cardón) que dá origem ao nome do Parque.

Chegamos ao povoado de Cachi. Até aqui a maior parte da estrada é asfalto, com alguns trechos em rípio. De Cachi até Cafayate são 150 km de rípio.

Comemos umas empanadas no vilarejo e fomos encarar o rípio.

O rípio está em ótimo estado, porém existem muitas curvas no início e caminhos estreitos onde só passa um carro, que fazem com que a velocidade máxima seja próxima de 40 km/h.

Depois de mais de uma hora no rípio e com o Black se auto-flagelando com as pedrinhas do chão, começamos a escutar um barulho um tanto esquisito. No mesmo momento lembramos do que havíamos passado no ano anterior, no rípio da Patagônia, onde o problema era um pedra que tinha agarrado entre o pneu e o para-lama do carro e ficava fazendo um barulho estranho.

Dessa vez não era nenhuma pedra agarrada e pensamos que alguma pedrinha havia danificado alguma coisa ou até mesmo um pneu furado.

Paramos e fomos ver os pneus primeiramente. Aparentemente todos os pneus cheios. Então seguimos e o barulho continuou. Percebemos que o barulho era parecido com o de uma mangueira furada e escutávamos a pressão do líquido escapando.

Mais uma vez paramos e abrimos o capô. Olhamos alguns cabos visíveis e parecia tudo no lugar. Completamos com água o compartimento do limpador de vidro. Esperamos uns 2 minutos para ver se a água estava caindo por baixo do carro ou até mesmo se vazava gasolina. Nada. Parecia tudo normal.

Voltamos para dentro do veículo e andamos mais um pouco. O barulho continuava e dessa vez percebemos que quando o volante era virado para a direita, o barulho sumia.

Estávamos sem ideia do que poderia ser e então pensamos: voltar ou continuar? Seria voltar cerca de 50 km de rípio para Cachi (mais próximo de Salta – cidade grande) ou seguir cerca de 100 km até Cafayate (cidade menor e mais afastada de Salta). Decidimos seguir viagem e manter o planejamento. Quem sabe o barulho não parava de repente?

Outra coisa que percebemos era que quando parávamos o carro, o barulho continuava por uns 3 ou 4 segundos e parava.

Com o carro andando, Oswaldo resolveu parar o carro e descer rapidamente (pra aproveitar os 3 ou 4 segundos) e tentar ouvir de onde vinha o barulho.

Assim fizemos. Paramos o carro já com a porta aberta e Oswaldo saiu rapidamente para a parte da frente, junto ao capô. O barulho diminuia. Rapidamente voltou pra dentro do carro (com o corpo fora do carro e a cabeça na parte de baixo junto dos pedais) e o barulho aumentava. Só que o barulho vinha do lado do banco e não do lado dos pedais.

Nisso Oswaldo se lembra do que poderia ser e descobre o problema: uma garrafa de refrigerante (Inka Cola) embaixo do banco do motorista havia furado e a pressão fazia o barulho que ouvíamos.

Aí vieram as teorias:

1 – Ao mover o carro o líquido sacudia e fazia a pressão e por isso ainda ficava o barulho durante uns 4 ou 5 segundos depois de parar. Com o carro parado não havia pressão;

2 – Ao girar para a direita, o barulho sumia por que o líquido ia todo pra um lado e neutralizava a pressão. Já pro outro lado, a pressão era total.

Bom, mais uma vez, “problema” resolvido e seguimos até Cafayate pela linda estrada, junto às quebradas da região.

Certamente vale muito a pena encarar o rípio para ver esse visual único. Rochas avermelhadas no contraste com o céu azul e a cor arenosa da região.

Chegamos em Cafayate antes das 17 horas. Andamos um pouco na pracinha, tomamos sorvete de vinho, comemos alfajores e às 18 horas pegamos a estrada asfaltada (RN 68) para voltar à Salta.

O passeio ainda não tinha acabado, pois ainda vimos as rochas que tem alguns nomes: os castelos, o obelisco, o frade (não enxergamos de jeito nenhum), o sapo, o anfiteatro e a garganta do diabo.

Já ao anoitecer, passávamos pela Quebrada de Cafayate e chegamos pouco antes das 22 horas na cidade de Salta. Ainda passamos no mercado e jantamos.

34º dia – 14/11: sALTA/ARG – CORRIENTES/ARG

Acordamos cedo, tomamos café, limpamos os vidros do carro e partimos rumo à cidade de Corrientes. Corrientes fica junto à cidade de Resistência. São separadas pelo rio Paraná. Na ida ficamos em Resistencia, pois ficava mais próxima da saída para seguirmos ao norte. Agora, no sentido contrário, é melhor ficar em Corrientes.

Enchemos o tanque e pegamos a RN 9. Entramos na RN 16 e adentramos no retão de mais de 300 km.

Pouco antes da cidade de Monte Quemado, vimos um carro caído ao lado da estrada e paramos para ver se alguém precisava de ajuda.

Felizmente o cinto de segurança havia salvado a vida dos dois homens que estavam no carro e eles estavam andando normalmente com ferimentos leves. Demos um pouco de água e biscoitos e como já haviam chamado ajuda, fomos embora. Já tinha um caminhão tentando rebocar o carro.

Depois disso, paramos na cidade de Monte Quemado pra colocar mais um pouco de gasolina, esticar as pernas e limpar os vidros que se sujam com as borboletas que se jogam na frente do carro.

Em Pres. Roque Santa Cruz, uma parada maior para lanchar.

Quando chegamos no km 175 da RN 16 havia uma manifestação dos agricultores e nenhum carro podia passar. Esperamos 20 minutos e resolvemos perguntar para os policiais que estavam parados logo a frente se havia alguma caminho alternativo.

Eles nos indicaram uma paralela e la fomos nós. Passamos em uma estrada de terra por dentro das fazendas e das plantações de girasol e saímos alguns quilomeros na frente da manifestação.

Seguimos tranquilo até Corrientes, onde chegamos às 20 horas. Ficamos num hotel de beira de estrada, já na RN 12.

35º dia – 15/11: CORRIENTES/ARG – FOZ DO IGUAÇU/BRA

Com mais de 12.000 km rodados até agora, iniciamos o regresso ao Brasil às 8:15 da manhã. Seguimos pela RN 12 em bom estado.

Aqui o calor já começa a atacar… ontem pegamos 40 graus na estrada e hoje também não foi diferente. Às 10:30 já estava 36 graus.

Com a proximidade com a fronteira brasileira, já começamos a ver outros carros com placas do Brasil.

Quanto tempo não víamos tanto verde!

Fronteira Argentina-Brasil tranquila e chegada em Foz com o tempo muito abafado. Resultado: pancadão de chuva no fim do dia.

Como era feriadão, a cidade estava super cheia e não havia vaga em hotel algum.

Passamos no hotel onde ficamos na ida, pra pegar o celular que a Fabiana havia esquecido. Ficamos esperando o gerente chegar e ele teve pena de nós: arrumou uma vaga pra passarmos a noite e não precisar seguir viagem de noite.

36º dia – 16/11: FOZ DO IGUAÇU/BRA – RIO DE JANEIRO/BRA

Saímos pouco antes das 10 horas e, assim como ano passado, a ideia era chegar domingo de manhã no Rio. Se ficássemos muito cansados nessa pernada, pararíamos e descansaríamos.

Decidimos voltar por Ourinhos. Então seguimos Cascavel e depois na direção de Londrina.

Às 15 horas já estávamos nos arredores de Maringá, onde paramos uns minutinhos pra esticar as pernas.

A essa altura já havíamos passados os 13 mil quilômetros de viagem.

Uma parada de 1 hora pra lanchar, esticar as pernas e descansar no Graal de Ourinhos por volta das 18 horas.

Às 20 horas já estávamos no km 280 da rodovia Castelo Branco.

Paramos mais uma vez para descansar. E dessa vez, por volta de 1 da manhã, a parada foi maior, pois o cansaço chegou firme e forte. Cochilamos por mais de 2 horas para então continuamos a pernada, já na Dutra.

Finalmente, às 6:50 chegávamos novamente à cidade maravilhosa.

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