Roteiro 2 – ago/10 – Relatório de Viagem – Página 4

De carro na estrada pelo Rio Grande do Sul e Uruguai – Agosto de 2010

17º dia – 31/08: Porto Alegre/RS até Cambará do Sul/RS

Dormimos até tarde para descansar um pouco. Saímos de POA às 12:25 hrs e após 182 km, pouco antes das 16:00 chegamos a Cambará do Sul.

Conhecemos a “imensa” cidade, compramos o passeio para o dia seguinte e fomos até o hotel.

18º dia – 01/09: Cambará do Sul/RS

Hoje foi o dia reservado para a trilha do Rio do Boi. Essa trilha tem que ser feita com o tempo bem firme e sem expectativa de chuva. Afinal, estamos dentro do rio, cercado por paredões dos dois lados. Com expectativa de chuva, pode aparecer uma tromba d’água a qualquer momento. Saímos às 7:30 do hotel. O Parque Nacional Aparados da Serra tem duas entradas, assim como o Parque Nacional de Itatiaia, no Rio de Janeiro, por exemplo. Tem a parte de cima e a parte de baixo. Essa trilha se inicia na parte de baixo, que fica em Praia Grande/SC e que vai por dentro do cânion. A outra fica em Cambará do Sul/RS e vai por cima dos cânions. Para chegar lá, andamos por quase 45km de estrada de chão. Encontramos a guia perto da entrada do parque e partimos pra lá. Nos identificamos na guarita e pronto. Comecamos a trilha efetivamente às 9:20. A trilha é ‘simplesmente’ seguir o curso do rio. Começamos pedra sobre pedra.

E atravessamos o rio pela primeira vez. E mais pedras pra se andar. E atravessa novamente o rio.

Todo a trilha é assim. Ao todo, são 36 travessias pelo rio. Algumas paradas pra tomar banho.

Por todo o lugar um cenário indescrítivel. E de vez em quando uma vegetação diferente.

E mais pedras… E, ao final da trilha, o visual mais esperado: uma vista panorâmica do cânion… um cenário mágico.

Chegamos ao final por volta de 13:30. Paramos pra lanchar e retornamos. Pra variar um pouco, fizemos a parte final por dentro da mata. E no meio do caminho, uma cobra dormia profundamente nos braços de morfeu.

E as 16:50, apos sete horas e meia, terminamos o percurso todo (ida e volta). Hora de enfrentar mais 45km de estrada de chão. As 18:55 estávamos no hotel novamente. Antes de dormir, passamos na padaria pra comprar sanduíches pra trilha do dia seguinte.

19º dia – 02/09: Cambará do Sul/RS

Esse foi o dia reservado para ver o Cânion do Itaimbezinho por cima. Pela manhã, entretanto, o tempo todo com neblina e chuva. O pessoal do hotel ligou pra portaria do parque para ver como estava a visibilidade lá. Às vezes, em lugar tem neblina, mas no parque a visibilidade está boa. E pode ocorrer o contrário também. Porém, responderam que estava sem visibilidade. Ficamos vendo uns filmes sobre a região, pois éramos os únicos hóspedes nesse dia. Então deram total atenção a nós. Cerca de uma hora depois, nos informaram que a visibilidade estava melhorando… corremos pro parque, que fica distante 20km de Cambará do Sul, por estrada de chão. Quando chegamos lá, a visibilidade estava ruim e resolvemos voltar para o hotel e aguardar. Foi bom que vimos uma replica da região dos cânions no próprio hotel.

Depois dessa aula sobre os cânions, ligaram novamente e dessa vez já tinha 100% de visibilidade, apesar de ainda chover. Voltamos correndo para o parque… No Parque Aparados da Serra, pela entrada de cima, são duas trilhas a serem feitas: a trilha do cotovelo e a do vértice. A primeira tem aproximadamente 3km e a segunda pouco mais de 700 metros. Entramos, e fomos direto na trilha do cotovelo, pois nos disseram que a visão de lá era melhor.

Cerca de 50 minutos terminamos a trilha debaixo de chuva e tivemos as primeiras visões do cânion, do alto, de frente. Um visual espetacular.

Apreciamos todo o visual. A visibilidade estava realmente boa… durante uns 10 minutos… de repente, começamos a ver a neblina subir… subir… subir… em aproximadamente 3 minutos, como num passe de mágica, os cânions sumiram de nossa visão. A neblina tomou conta de tudo. É o fenômeno da ‘viração’. Reparem na foto abaixo, atrás, como não se enxerga nada.

Retornamos pela trilha, chegamos a sede e esperamos um pouco pra ver se dava pra ir na trilha do vértice. Mas não deu. Podemos dizer que tivemos sorte, já que, num dia chuvoso e com neblina, conseguimos ter uma visão, mesmo que por pouco tempo, do cânion do Itaimbezinho.

20º dia – 03/09: Cambará do Sul/RS

Dia reservado para visitar o Cânion Fortaleza. Só reservado, pois não havia visibilidade em lugar algum. Nem no Parque Nacional Aparados da Serra, nem no Parque Nacional da Serra Geral. Por curiosidade, Cambará do Sul é a única cidade brasileira a ter dois parques nacionais. Assim, por falta de visibilidade, o passeio foi cancelado. Então ficamos sem saber o que fazer. Fomos a casa do turista ver algumas curiosidades da formação dos cânions e algumas outras curiosidades.

Ao sair de lá, a névoa deu uma baixada. Pensamos em voltar ao Itaimbezinho pra tentar fazer a outra trilha que não conseguimos fazer no dia anterior. Ao chegar no parque, nos informaram na guarita que a visibilidade estava zero. Resolvemos aguardar um pouco. 40 minutos se passaram e nada. Como na guarita, nos informaram que, às vezes, a neblina desce e em menos de 5 minutos ela sobe novamente, resolvemos fazer plantão e arriscar para ver se a neblina baixava dentro do parque.

Uma hora se passou e nada. Mas valeu a persistência… depois de quase duas horas esperando no mirante, tomamos até um susto: onde não havia nada diante de nossos olhos, começaram a surgir árvores. A neblina começava a baixar… e em menos de 5 minutos ela tomou conta de tudo novamente. Não é que a menina da guarita não estava exagerando?!? Diante da situação, já estávamos satisfeitos com o que tínhamos visto…

porém, ainda ficamos mais algum tempo. E valeu muito, pois a neblina baixou novamente e dessa vez demorou uns 30 minutos.

E quando começou a subir, foram necessários apenas 110 segundos para que ela tomasse conta de tudo mais uma vez. Voltamos satisfeitos com o que vimos. Ahh… e hoje o Poketona ganhou um novo apelido: o Poke-Rover.

Afinal, foram dias chuvosos e estradas de terra… Esse era pra ser o último dia em Cambará do Sul. Porém, devido ao cancelamento do passeio ao Cânion Fortaleza, decidimos ficar mais um dia, pois a previsão do tempo seria boa conosco.

21º dia – 04/09: Cambará do Sul/RS

Enfim, conseguimos ir ao Cânion Fortaleza. Após 22 km de estrada de chão estacionamos o poke-rover, junto ao restante do grupo e seguimos, com a guia, para conhecer o Fortaleza.

Apesar de ser cânion da mesma forma que o Itaimbezinho, são lugares bem distintos e que valem ser conhecidos em dois dias. Uma grandeza inimaginável. Depois de vários visuais, o último destino era a trilha da pedra do segredo. Para chegar lá, era necessário atravessar o rio à beira de uma cachoeira que ia parar lá embaixo do cânion.

E, finalmente, a famosa pedra do segredo: um mistério da natureza fez com que este enorme bloco monolítico de 5 metros de altura, ficasse perfeitamente apoiado por sobre uma área de 50 centímetros quadrados, dando a impressão que poderá cair a qualquer instante.

Retornamos satisfeitos com o tempo que foi maravilhoso. Ainda deu tempo para dar uma volta no lago do hotel. A noite, um fondue para encerrar o dia. Bom, mas nada se compara ao fondue de Gramado.

22º dia – 05/09: Cambará do Sul/RS até Curitiba/PR

Dia ir até Curitiba. Saímos às 09:25. Retornamos até Tainhas, pegamos a Rota do Sol até o litoral norte gaúcho. Uma estrada com belo visual e um ponto de parada para tirar fotos.

Após 2 horas, chegamos a Torres, última cidade gaúcha antes de terras catarinenses, onde ficaríamos cerca de 1 hora e meia. Ainda deu tempo de ir até o morro do farol e fazer uma trilha até o alto de uma pedra, onde tínhamos uma visão privilegiada da cidade.

Gostamos muito dessa cidadezinha tranquila que atrai muitos turistas em tempos mais quentes. Às 13 horas seguimos pela BR-101 rumo ao nosso destino. Alguns engarrafamentos nos arredores de Florianópolis e Balneário Camboriú. E nesse trecho, até Curitiba, foram 5 pedágios, todos de R$ 1,20, nos km 220, 159, 79, 1 e 637. Este último, já em terras paranaenses. Para facilitar as coisas, resolvemos não para em Curitiba. Ficamos em São José dos Pinhais, próximo ao aeroporto. Assim, não perderíamos tempo entrando na cidade. E foi a melhor coisa que fizemos. Às 21:30 já estávamos descansando, com 5.594 km rodados.

23º dia – 06/09: Curitiba/PR até Rio de Janeiro/RJ

Enfim, dia de regressar ao Rio de Janeiro. E esse último percurso já fazemos com tranquilidade. Saímos às 7:30 e às 10:20 passávamos por Registro com 3 pedágios de R$ 1,50 nos km 57 (Paraná), 543 e 485 (São Paulo) da BR-116. Com uma parada de meia hora pra descansar, chegamos a São Paulo às 13:20, com mais 4 pedágios, sendo 3 de R$ 1,50 (km 426, 370 e 298) e um, no rodoanel, de R$ 1,35. Mesmo indo pelo rodoanel, pegamos trânsito devido a obras na marginal tietê. Só conseguimos sair da capital às 14 horas. Às 17:20 entramos em terras fluminenses, depois de mais 4 pedágios (R$ 2,30, R$ 2,30, R$ 4,10 e R$ 9,20) e uma parada de 40 minutos para almoçar. E, para finalizar, mais dois pedágios de R$ 9,20 (Itatiaia e Seropédica) para, enfim, chegarmos novamente à cidade maravilhosa. Foram 6.470km rodados no total, incluindo todos os deslocamentos.

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10 respostas a Roteiro 2 – ago/10 – Relatório de Viagem – Página 4

  1. Lourenço diz:

    Olá boa noite gostei muito da aventura de vc , gostaria de saber se vcs já foram pro nordeste , pois se sim gostaria de algumas dicas de viagem , pois pretendo ir eu minha esposa e meu filho saindo do RJ para RN e depois voltar para o RJ fazendo varias paradas pelo litoral brasileiro em 25 dias …

    • Bom dia Lourenço,

      Infelizmente ainda não fizemos uma viagem dessas pro Nordeste. Está em nossa lista ir até Natal (ou quem sabe Fortaleza) de carro na estrada. Mas ainda vai demorar alguns anos.

      Infelizmente para esse trecho não podemos ajudar muito. Bom plenejamento e boa viagem pra vocês.
      Abs

  2. Ficou muito bom o relato e as fotografias!

    Pretendo fazer essa viagem com a minha namorada, porém em lua-de-mel! Acho que vai ser bem legal!

  3. Daniel Rocha diz:

    Parabéns pela viagem e pela forma com que foi compartilhada. Estou me programando para fazer esse percurso em junho ou julho de 2014. Na verdade pretendo sair de São Paulo e fazer Curitiba >Guarapuava>Foz do Iguaçu, e descer até Buenos Aires pelo lado argentino do rio Uruguai, para então atravessar de balsa e subir pelo litoral uruguaio. Copiei seu roteiro para fazê-lo ao contrário. Foi o mais completo que encontrei.

    • Olá Daniel, obrigado por visitar nosso blog.

      A ideia é exatamente compartilhar experiências e ajudar futuros viajantes, da mesma forma que fomos ajudados quando estávamos nos planejando.

      É possível fazer Curitiba até Foz do Iguaçu direto. Não é necessário parar em Guarapuava.

      O litoral uruguaio é muito bonito, apesar que nessa época não poderá curtir praia, porém o visual já vale a pena (que foi nosso caso também).

      Grande abraço e uma ótima viagem!

  4. Daniel Rocha diz:

    Na verdade quero sair de Praia Grande e parar só em Guarapuava/Prudentópolis para conhecer o Salto São Francisco. Após passar por Foz e descer pelo norte da Argentina, estou me decidindo de desco até buenos aires de carro e atravesso de balsa, ou desço até colonia e atravesso em barco e volto. Dizem que taxi é barato em BSa. e como é uma metrópole, não quero arriscar perder horas no transito.

    • O ruim de estar numa metrópole desconhecida de carro é exatamente o fato de perder tempo em alguns lugares (tanto no trânsito quanto no “achar algum lugar”), diferentemente de cidades menores, onde não tem muito o que errar e muito menos trânsito.

      Costumo dizer que o GPS é bem interessante para grandes cidades para se ganhar tempo.

      Se decidir ir até Colonia, vai ter que atravessar de balsa duas vezes (ida e volta). Talvez seja interessante ir de carro até Bsa e pegar a balsa para entrar no Uruguai.

      Independente da escolha, será uma bela viagem e com certeza passará por momentos maravilhosos.

  5. suzane carvalho diz:

    Ola!
    Boa tarde.
    Adorei ler sobre a viagem de vcs!
    No inicio do mes sai com meu esposode Niteroi e fizemos o sul da Bahia (Porto Seguro, Arraial d`Ajuda, Trancoso). Foram 1.100 km ate la. Foi nossa viagem mais longa e adoramos. Mas o trajeto e muito tenso. Estrada de mao dupla o tempo inteiro com apenas uma faixa pra cada sentido.
    Isso torna a viagem mais cansativa.
    Em agosto vamos a Gramado/Canela.
    Estamos pensando se vamos de carro ou aviao.

    Gostaria de saber o que acharam das estradas. As pistas sao de mao unica ou dupla? Pelo menos em grande parte do percurso?

    Fomos a Campos do Jordao em agosto do ano passado. Lembro que as estradas eram boas, mas nao lembro se era pista de mao unica ou mao dupla. Vcs se lembram?

    Obrigada

    • Tem trechos com pista duplicada (como a Dutra), outros com mão dupla (já no interior de PR, SC e RS). Se vcs forem pela BR-101 é bem mais tranquilo nesse sentido: vão pegar bom trecho com pista duplicada.

      Até Campos do Jordão, a maior parte do trecho é duplicada (Dutra). Depois, pra subir até Campos, pega uma serrinha chata de mão única. Mas indo com calma, é tranquilo. Nada demais.

      Grande abraço e obrigado pela visita.

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