Roteiro 1 – ago/09 – Relatório de Viagem

De carro na estrada pelo Centro-Oeste do Brasil – agosto de 2009

1º dia: Rio de Janeiro/RJ até Guaíra/PR

Após três meses de programação incluindo elaboração de roteiros, consultas a diversos mapas, consultas na internet, ligações, reservas em hotéis, entre outros, enfim, a viagem começou às 2:30 do dia 13 de agosto de 2009. Fabiana e Oswaldo logo pegaram a linha vermelha com o potente Poketona (um Renault Clio 1.0) a 90km/h respeitando o limite de velocidade da via. Ainda escuro, com pouca movimentação, cruzamos com poucos veículos no início da Rodovia Presidente Dutra (BR-116). Primeiro pedágio em Seropédica (R$ 8,80). Após um engarrafamento na Serra das Araras, com grande movimentação de caminhões, chegamos ao segundo pedágio da viagem, após 173 km, em Itatiaia, às 4:38. Mais R$ 8,80. Em dez minutos, cruzamos a primeira fronteira da longa viagem: já estávamos em terras paulistas. Aproximadamente uma hora depois (273 km), chegamos ao pedágio de Pindamonhangaba: mais R$ 8,80. Com 351 km na bagagem, já em Jacareí, foram necessários mais R$ 3,90 para ultrapassarmos mais um pedágio. Logo em seguida, às 6:35, paramos num posto de gasolina para abastecer o Poketona e esticarmos as pernas. Foram 15 minutos revitalizantes para seguirmos viagem.

Às 6:58, passando por Santa Isabel (366 km), os R$ 4,30 já estavam separados para mais uma barreira. Assim, chegamos à capital paulista (417 km) sendo recepcionados com um rotineiro engarrafamento próximo ao início da Marginal Tietê. Já eram 8:28 quando vencemos os 16 km da Marginal e entramos na exuberante Rodovia Castelo Branco (433 km) com seus incríveis 120km/h de limite de velocidade. Antes de nos deliciarmos com tal velocidade, resolvemos parar para tomar café com uma parada de 30 minutos num paradisíaco Graal. Ao continuarmos a viagem, a primeira facada da Castelo Branco: R$ 11,20 nas proximidades de Barueri. Com a cara no vento (uhuuuuu) e 120km/h no velocímetro, chegamos rapidamente no próximo pedágio, que marcava R$ 6,30, após 532 km percorridos, às 10:03. Quadra, Botucatu e Iaras: R$ 8,60, R$ 8,60 e R$ 5,80, intercalados com mais uma parada de 10 minutos. Já foram R$ 66,30 bem gastos. Afinal, as rodovias Presidente Dutra e Castelo Branco são um tapete. 733 km vencidos ao final da Castelo Branco e 12:12 no relógio. A fome já batia à porta. Assim, resolvemos parar por uma hora pra almoçar antes de chegar a Ourinhos, no Graal Est. Kafé, com 751 km no hodômetro.

Às 14:00 passamos por Ourinhos e chegamos à segunda fronteira: terras paranaenses estavam a nossa frente, com um pedágio para nos saudar: R$ 10,60. Já estava na hora do Poketona se alimentar. Assim, em Cambará, paramos no posto de gasolina e compramos uma garrafa de água também: o calor já avançava às 14:25 (814 km). Aqui a estrada já não era tão boa quanto em São Paulo, mas seguíamos com uma média de 80 km/h. Com os pedágios de Londrina, Rolândia e Mandaguari (R$ 11,60, R$ 5,20 e R$ 5,20), finalizamos a sequência de “assaltos” do dia. Estávamos mais leve: R$ 98,90 a menos no bolso. Nesse meio, passamos por dentro da cidade de Maringá, na hora do “rush”. Mesmo acostumado com o trânsito do Rio de Janeiro, não foi nada legal enfrentar o trânsito local. O relógio já marcava 19:04 quando nos aproximamos da cidade de Cianorte, com 1.120 km nas costas. Meia hora depois, em Cruzeiro do Oeste, uma parada de 15 minutinhos caiu muito bem. Ao passarmos por Umuarama (1.198 km) às 20:20, nos aproximávamos do destino do dia. Aqui, a velocidade média já estava em torno de 75 km/h. Às 21:50 chegamos na cidade de Guaíra e, após a rotatória, chegamos com facilidade à rua do hotel Deville utilizando o mapa impresso em terras cariocas na semana anterior. O endereço é: Rua Paraguai, 1.205 – (44) 3462-1617 – http://www.deville.com.br. Hotel de primeira qualidade e recomendado para quem for à cidade. Pedimos algumas informações rápidas para o recepcionista sobre o comércio na cidade de Salto Del Guairá, no Paraguai, e fomos rapidamente descansar, após exaustos 1.377 km.

2º dia: Guaíra/PR

Como o comércio paraguaio funcionava de 9 às 18 horas (horário paranaense), acordamos às 8:30 para aproveitar o café e ir com calma para terras estrangeiras. Andamos um pouco no centro de Guaíra: passamos pela rodoviária, avenida principal e fomos ao Banco do Brasil, onde todos os funcionários usavam máscara para se proteger da temível Gripe Suína, que assustava na época. Assim, com grana no bolso atravessamos o Rio Paraná e chegamos a terras sul-mato-grossenses, rumo ao Paraguai. Afinal, para chegarmos ao Paraguai, primeiro pisa-se em Mato Grosso do Sul. A aduana da Receita Federal localiza-se na fronteira com o Paraguai.

Ao chegar à cidade, fomos direto ao Shopping local por indicação do recepcionista do hotel Deville para começarmos a fazer a pesquisa de preços. A compra em dólar saía mais em conta. Assim, fomos a uma casa de câmbio trocar nossos humildes reais pelas grandiosas verdinhas.

Após algumas horas em 2 shopping locais, já entediados de tanto rodar nas lojas, trouxemos uma Câmera Sony e um Lap Top. Como a câmera ia ser comprada no cartão, perdemos um bom tempo por não termos desbloqueado para compras internacionais. Tivemos que voltar ao Brasil para ligar para a central de atendimento, solicitar o desbloqueio, voltar ao Paraguai para, enfim, realizar a compra. Com tudo na mala do Poketona, retornamos ao Brasil.

Famintos, fomos ao hotel guardar as muambas e saímos pra rua para comer alguma coisa, pois a fome já era negra. Paramos numa pizzaria para matar quem queria nos matar e, juntos de diversos mosquitos, degustamos uma pizza gigante. Em seguida, tomamos sorvete para encerrar o dia.

3º dia: Guaíra/PR até Bonito/MS

Dia 15 de agosto às 10 horas, após abastecimento, partimos rumo à próxima cidade: Bonito. Logo ao cruzar o rio Paraná, já ganhávamos 1 hora. Afinal, o fuso horário nos deu uma mãozinha. Marcava 9:05 em solo sul-mato-grossense. Logo notamos a diferença na paisagem da estrada. Deixamos pra trás os tradicionais pinheiros paranaenses para encarar fazendas e terras que pareciam infinitas no Mato Grosso do Sul. Era vaca de um lado, plantação de trigo e soja do outro. Isso quando a terra não estava exposta ao sol sem uma vida sequer. Agora, nada de pedágios. E o mais impressionante: estradas muito bem conservadas. Ficamos surpresos positivamente. O engraçado que no meio do nada aparecia uma placa dizendo: “Velocidade controlada por radar”. Eu ficava pensando que “radar” devia ser o nome de algum boi naquele fim de mundo.

Passamos por Novo Mundo, Eldorado, Itaquiraí, Naviraí, Caarapó até chegar em Dourados, após 260 km e 3 horas e meia de viagem sem parar. Paramos para almoço durante 1 hora em Dourados e enchemos o tanque do nosso grande guerreiro Poketona.

Portal de Naviraí - MS

Seguimos viagem, rumo a Bonito, passando por Itaporã, Maracaju e Guia Lopes da Laguna. A velocidade média ficava em torno de 80 km/h com estradas surpreendentemente boas. Pouco depois das 18 horas, chegávamos ao portal da cidade. Estávamos em Bonito. Foram simples 529 km no dia. Pinto, se comparados aos 1.377 do dia anterior.

A estrada que liga Guia Lopes da Laguna a Bonito já chega à rua principal da cidade (Av. Pilad Rebuá), onde localiza-se a agência que contratamos para intermediar nossos passeios (Agência AR – 24 hrs – www. agenciaar.com.br). Com um ótimo atendimento, tiramos todas as dúvidas dos passeios, complementamos o pagamento e fomos conhecer o hotel, que ficava no final da mesma rua. Ao chegarmos à Pousada Vila Verde (www.pousadavillaverde.com.br – (67) 3255-1818) deixamos nossas coisas e fomos ao centro jantar.

A cidade não é tão pequena quanto imaginávamos. Existe uma ótima infra-estrutura. No restaurante CASARÃO, escolhemos um rodízio de peixes, onde comemos dourado à parmegiana, pacu frito, pintado a dorê ao molho de urucum e carne de jacaré. Comida farta e boa. Voltando para repousar, nos deparamos com uma loja de sorvete. Até aí, normal. Porém, as letras garrafais, onde lia-se SORVETE ASSADO, nos deixaram bem curiosos. Como havíamos comido de maneira descomunal, deixamos essa iguaria para outro dia.

4º dia: Bonito/MS

Dia 16 de agosto. Dia de encarar a Gruta do Lago Azul e a Flutuação do Rio Sucuri. E para animar mais a festa, ao final do dia o tão esperado treinamento para o Abismo Anhumas com seus incríveis 72 metros de rapel.

Acordamos, tomamos um café reforçado na pousada e partimos. Com mapa na mão e o pedal do acelerador no pé, rumamos 19 km pela estrada de terra até o encontro com os demais turistas e guias. Visual e poeira nos acompanharam até o final do percurso. Além das vaquinhas, é claro.

Ao chegar ao local, fizemos a “inscrição” para ir até a gruta e ficamos aguardando o nosso grupo para descer. Enquanto isso colocamos os capacetes e ficamos testando a mais nova aquisição para fotografar bem todos os detalhes da gruta. Após uns 20 minutos de espera, iniciamos a trilha.

Rapidamente chegamos à entrada da gruta. O esquema era o seguinte: existiam 6 “pontos de parada” dentro da gruta e 6 grupos distintos. Assim, para que um grupo fosse até o próximo “ponto de parada”, era necessário que o grupo que lá estivesse, saísse. E lá fomos gruta abaixo.

No início, quase não dava pra ver nada. Mas à medida que descíamos, diversas estalactites e estalagmites surgiam em nossa frente até que conseguimos ver a primeira imagem do tão esperado lago azul. Ainda estava distante, mas já era suficiente para nos deixar boquiabertos com tamanha beleza. Quanto mais nos aproximávamos, mais deslumbrados ficávamos. Nas paredes, várias figuras se formavam e víamos diversas imagens, como o mapa da América do Sul, Jesus Cristo de perfil na cruz e até mesmo a Morte (do filme Todo Mundo em Pânico). Abaixo de nós, o azul da água era impressionante. Pura ilusão de ótica. A água é cristalina. Mas com os raios solares e alguns efeitos naturais, aquela água parecia da cor azul do céu.

Ao voltar pela estrada de terra, rumo ao Rio Sucuri, cruzamos com um tamanduá bandeira atravessando a rua. Uma imagem muito diferente do que estamos acostumados a ver.
Chegando à fazenda onde realizaríamos o passeio do Rio Sucuri, fomos diretamente almoçar. Comida típica e farta nos satisfizeram. Em seguida, aguardamos o início da próxima aventura descansando perto de um riacho artificial.
O relógio marcava 13:30 quando chegou nossa vez. Experimentamos a roupa de neoprene e fomos, numa caminhonete, rumo à nascente do rio sucuri. Entre a caminhonete e a nascente, uma trilha de 10 minutos e uma ponte sobre um braço do rio. Deslumbrados com a beleza natural, tiramos a máquina para registrar o local. Como não estávamos acostumados com a maquina, esquecemos de tirar a protecao da lente. Esta bateu no chao e suavemente caiu dentro da agua. Sorte que o guia estava la para nos ajudar a recuperar o objeto. Alguns minutos depois, ajustamos a máscara e o snorkel para, em seguida, cair no rio. Centenas de peixes pequenos esperavam para nadar conosco. Um passeio muito prazeroso. Relaxante.

Voltamos para a cidade para fazer o treinamento do Abismo Anhumas. Eram apenas 9 metros no local estipulado. Suficiente para aprendermos a técnica de subir e descer pendurados na corda. Em seguida, fomos saborear alguma comida local no restaurante Aquarius e descansar para o dia seguinte.

5º dia: Bonito/MS

Eram 7:30 e já estávamos no local combinado para descer o Abismo Anhumas. Nesse dia demos carona ao Martin. Um gaúcho, cuja esposa desistiu de descer de rapel. Arrumávamos-nos enquanto Almir e Martin já desciam os 72 metros. Uma adrenalina imensa tomou conta de nós no início da descida. Adrenalina esta que se transformava em fascínio à medida que fitávamos cada lado. Lá embaixo, uma plataforma que boiava no lago, um bote e um banheiro orgânico. Todos prontos pra nos receber. Fizemos o contorno dentro do bote, com diversas explicações do guia e, em seguida, nos vestimos com a roupa especializada para a flutuação no lago com uma água de temperatura em torno de 17ºC.

O guia nos explicou que alguns animais, na época da seca, ficam em torno do buraco a procura de água. Alguns escorregam e caem, sem terem condições de voltar. Até mesmo alguns pássaros que lá entram, não conseguem voltar ao mundo de onde vieram, pois não há vento dentro do Abismo.

Após grandes descobertas das explicações do guia, demos início à flutuação. Antes, uma guerra para colocar a roupa, bota e capuz. Só fica o rosto de fora para tentar encarar o frio do lago. A água estava tão gelada que não consegui entrar de uma vez, mas a Fabiana entrou de primeira fazendo jus a naturalidade friburguense. Com o auxílio das lanternas, enxergávamos algumas coisas no fundo do lago. Após alguns minutos, um alívio ao sair da água estupidamente gelada. Enquanto nos trocávamos, o guia nos alertava para tomar cuidado para que nenhum material caísse no lago. E não é que algum tempo depois, o Almir se descuidou e empurrou cuidadosamente sua máquina fotográfica para o fundo do lago? Enquanto seu olhar clamava por uma flutuação da câmera, esta afundava mais rápida que o Titanic. Os guias disseram que no dia seguinte haveria mergulho com cilindro e eles poderiam recuperar a câmera. Conversa pra boi dormir, foi o que pensamos nesse momento. E não é que no dia seguinte, a câmera do Almir estaria em suas mãos? Ficamos sabendo disso depois, através do e-mail encaminhado com as nossas fotos, já no Rio de Janeiro.

Passado algum tempo, iniciamos a subida que foi bem tranqüila. Aplicando a técnica aprendida no dia anterior durante o treinamento, chegamos ao topo do Abismo com uns 17 minutos. Lá em cima, um bilhete do Almir para que enviássemos algumas fotos pra ele por e-mail. Essa aventura é indescritível. Realmente um passeio obrigatório a quem vai a Bonito.

6º dia: Bonito/MS

Os dias cismavam em passar rapidamente. Já era dia 18 de agosto. Dia programado a uma caminhada tranqüila no Parque das Cachoeiras. Eram 7 quedas: Amor, Figueiras, Sinhozinho, Carretilha, Sol, Gruta e Mulungu. Cada uma com seu encanto e magia. Na da carretilha descemos de carretilha (tirolesa) e mergulhamos na do Mulungu. Ao final, um almoço para recuperar as energias.

Rumávamos ao passeio de bote à tarde, quando nos deparamos com um avestruz.

Ave bem tranqüila que até pose para foto, fez. No bote, admirávamos a fauna e flora do local entre uma e outra corredeira. Ao final, conhecemos a Laura: uma arara vermelha que adorava se mostrar.

Às 19 horas estávamos com o ingresso do Projeto Jiboia. Henrique era o nome do apresentador e dono das cobras. Explicava que sao animais inofensivos e que nao atacam: apenas se defendem. Apos uma hora e meia de uma palestra bem descontraia, o melhor: tiramos fotos com sua cobra de estimacao. Eu com a cobra, a Fabiana com a cobra e nos dois com ela. Foram 3 fotos bem legais. Com isso, ficamos ate com vontade de ter uma cobra de estimacao.

Esse dia estava programado para experimentar o famoso sorvete assado. Porém, depois de degustar uma otima comida no TABOA, além da cachaça taboa, resolvemos deixar aquela guloseima para o último dia na cidade.

7º dia: Bonito/MS

No último dia, pudemos acordar mais tarde. Iríamos chegar apenas às 12:00 no local marcado para fazer o passeio do Rio da Prata. Este local distava 50 km alternando estrada de asfalto e de terra. Chegando lá, o guia nos explicou o caminho. Seguiríamos por uma trilha durante uns 40 minutos. Em seguida, mergulharíamos no rio olho de boi, pegaríamos outra trilha para evitar uma corredeira, voltaríamos ao olho de boi e desembocaríamos no rio da prata.

Um verdadeiro temporal, com direito a raios e trovões, nos acompanhou durante a trilha inicial. Porém, ao chegarmos à nascente do rio olho de boi, a chuva já dava lugar ao sol. Aguardamos alguns minutos para que o rio ficasse mais transparente e iniciamos a descida.

Pacus e dourados enormes, acompanhados de peixes menores, embelezavam o local. Nadar no rio cheio de peixes foi uma experiência única. O contato com a natureza é simplesmente demais.

Passeio terminado, hora de voltar pra casa e experimentar o misterioso sorvete assado. Mas ainda faltavam alguns quilômetros para chegar ao centro de Bonito. Como havia chovido, alguns trechos da estrada de terra estavam meio escorregadios. Chegamos a pensar em voltar pela estrada totalmente de asfalto. Porém, era o dobro do percurso. Resolvemos encarar a estrada de terra assim mesmo.

Íamos com todo o cuidado, porém em alguns trechos chegamos a pensar que íamos atolar. Novo trecho de asfalto e confiança na mente. Outra parte de terra e dúvida presente. Avistamos uma parte bem crítica. Coloquei a primeira e fui bem devagar. O Poketona clamava por asfalto. Mas ainda faltavam cerca de 2 km de terra batida. O carro escorregou, senti a perda do controle do carro. Pensei que fôssemos parar. Mas devagarzinho conseguimos vencer esse obstáculo. Após inúmeras contas de quantos quilômetros faltavam até o asfalto, avistamo-los. Nesse momento, a felicidade reinou e comemoramos a chegada. Que perrengue!

São e salvos, chegamos à sorveteria. Pedimos um sorvete assado com uma bola de melancia e outra de tangerina. Aguardávamos ansiosos até que o pedido chegou a nossa mesa. Para nossa decepção, o sorvete assado era um mistura de salada de fruta, sorvete e marshmallow derretido por cima.

Até que o sabor agradou, mas a propaganda era totalmente enganosa. Fomos dormir cedo, afinal, o dia seguinte ia ser intenso, agravado com a perda de uma hora (fuso horário) ao cruzar a fronteira do Mato Grosso do Sul e Goiás.

8º dia: Bonito/MS até Itumbiara/GO

Abastecido e lavado, o Poketonas deu início a próxima perna da viagem. Saímos às 6:27 com destino a Itumbiara-GO. Nos despedíamos de Bonito. Passamos por Guia Lopes da Laguna, Nioaque e Sidrolândia antes de chegar ao rodoanel de Campo Grande. Paramos para abastecer após 294 km. Pegamos a estrada sentido Cuiabá e após 399 km, viramos à direita rumo à cidade de Chapadão do Sul.

Uma placa curiosa apareceu em nossa frente. Ela dizia que não haveria posto de gasolina nos próximos 148 km. Realmente não havia nada, além de terra de um lado e do outro da estrada entre Camapuã e Paraíso. Mas isso não impediu que um tucano cruzasse nosso caminho. Ao chegar a Chapadão do Sul, o relógio marcava 14:03 e o hodômetro 629 km. Paramos para fazer um lanche reforçado, mas sem perder tempo. Afinal, eram 15:03 em Goiás, nosso destino desse dia.
Ao passar por Cassilândia, viramos à esquerda e cruzamos a fronteira. Estávamos em Goiás rumo a Itajá. Após essa cidade, seguíamos pela GO-178 quando avistamos uma placa que dizia que nessa estrada era necessária a travessia por balsa. No mapa não dizia nada e resolvemos continuar. Alguns quilômetros depois, avistamos 3 placas em curto espaço de tempo no meio da estrada: “balsa a 2 km”, “balsa a 1 km”, “balsa, vire a esquerda”. Seguimos a estrada de terra obrigatória e chegamos à tão falada balsa.

A ponte que cruzava o rio Correntes estava em obras e a travessia estava sendo feita pela balsa. Entramos na fila e aguardamos nossa vez. Estava tudo bem organizado e atravessamos sem problemas o rio. Vida que segue: Itarumã, Caçu, Quirinópolis e Gouvelândia. Até aí já estávamos acostumados com as boas condições das estradas. Porém, entre Gouvelândia e Inaciolândia as crateras que encontramos, aliadas à escuridão da pista (já eram umas 19 horas no horário local), fizeram com que a velocidade média caísse pra cerca de 50 km/h. O trecho entre Inaciolândia e Cachoeira Dourada voltou a ser bom. Entre Cachoeira Dourada e a BR-452 os buracos tomaram conta novamente. Últimos quilômetros e chegamos a cidade de Itumbiara às 22:00, com mais de 1.048 km no dia.

Como já havíamos visto o mapa anteriormente, chegamos ao hotel São João sem maiores problemas. Fomos direto dormir.

9º dia: Itumbiara/GO até Caldas Novas/GO

Às 9:00 do dia 21 de agosto iniciamos um simples trajeto de 146 km até a cidade de Caldas Novas. Abastecemos, calibramos os pneus e partimos. Às 10:12 passávamos por Morrinhos (85 km), depois de passar por um trecho em obras e com velocidade bastante reduzida.

Às 11:05 chegamos em Caldas Novas. Fomos ao Mirante Serra Verde. Mirante só no nome, pois não podia subir na torre para avistar a cidade. Compramos algumas coisas, demos uma volta no centro e fomos ao Rio Quente Resorts.

Deixamos o Poketona no estacionamento, guardamos nossa bagagem no quarto e fomos almoçar no próprio hotel. Às 15:00 pegamos o ônibus que nos levaria ao complexo de parques. Eram 3 complexos: O Hot Park (parque aquático), a Praia do Cerrado (praia artificial) e o Parque das Fontes (aberto 24 horas).

Descemos em alguns toboáguas, mergulhamos na praia e boiamos no rio artificial. Às 17 horas o parque fechava e então fomos conhecer o Parque das Fontes que funcionava a noite inteira. Tudo com água quente, em torno de 35ºC.

Após aproveitarmos bastante, voltamos ao hotel e fomos comer alguma coisa nas ruas de Rio Quente (um município vizinho a Caldas Novas e local onde é situado o resort). Após um breve passeio, voltamos ao hotel e fomos dormir.

10º dia: Caldas Novas/GO

No dia 22 passamos o dia inteiro no complexo. Descidas nos toboáguas e no Half Pipe (uma espécie de escorregador) viraram rotina. Era toboágua com bóia, toboágua com tapete, toboágua sem nada. Voltamos ao hotel para almoço e aproveitamos até o último minuto do Hot Park na parte da tarde.

Fomos então ao Parque das Fontes aproveitando o calor das águas. À noite, perdemos dinheiro num bingo e assistimos a um espetáculo de circo bem interessante.

11º dia: Caldas Novas/GO até Betim/MG

No dia seguinte, acordamos bem cedo e fomos ao Parque das Fontes curtir os últimos momentos. Afinal, o check-out era às 10 horas. Encerramos a conta, fomos até a cidade, compramos chocolate e umas bugigangas e abastecemos nosso grande gladiador Poketonas. Ah, ele ganhou um belo banho também.

Às 12:00 iniciamos a volta pra casa. Na verdade, pra Betim-MG, nossa próxima parada para dormir. Após passar por Marzagão e Corumbaíba, atravessamos o rio Paranaíba e entramos no estado das Minas Gerais.

Ao passarmos por Uberlândia, presenciamos um acidente de moto. O motoqueiro esbarrou num carro e derrapou na pista. Felizmente, nada aconteceu ao piloto. Seguimos em direção a Araxá e paramos às 17:01 após 401 km, com uma média de 80km/h. O dia foi virando noite, o tempo bom deu lugar à chuva e pouco antes das 22:00 chegamos a Betim. Novamente, graças aos mapas impressos anteriormente, chegamos com facilidade ao hotel CasaBlanca (www.hotelcasablancabetim.com.br – Av. JK, 801 – (31) 3532-1616), 678 km após Caldas Novas.

12º dia: Betim/MG até Nova Friburgo/RJ

No dia 24, acordamos, tomamos café e às 9:08 partimos em direção a Nova Friburgo. Nossa última perna. Assim como em diversas outras vezes, Fabiana assumiu o volante. Pegamos a BR-040 e viemos embora. Passamos por Congonhas, Conselheiro Lafaiete, Barbacena, Santos Dumont até a parada em Juiz de Fora, no Graal Silvio´s. Eram 12:48 e uma parada de exatos 60 minutos. Retornamos com Oswaldo na direção.

Estávamos até desacostumados, mas voltamos a era dos pedágios. Juiz de Fora (R$ 7,20 – 300 km – 14:15) e Areal (R$ 7,20 – 356 km – 14:52) até a parada em Itaipava (Petrópolis) para abastecimento, às 15:06. Pegamos a serra Petrópolis-Teresópolis com suas sinuosas curvas para, em seguida, adentrar no circuito Tere-Fri. Às 17:20, com 477 km rodados no dia, na cidade de Nova Friburgo, demos fim a nossa viagem de 12 dias maravilhosamente bem aproveitados.

Só para não perder as contas, foram R$ 113,30 gastos em pedágios, R$ 798,31 com combustível e 4.768 km percorridos pelo Poketonas (incluindo estradas e passeios dentro da cidade), desde a cidade maravilhosa, no dia 13 de agosto, até Nova Friburgo, no dia 24 de agosto de 2009.

Páginas dessa viagem

Página Principal – Roteiro 1 – ago/09
Nosso roteiro
Numeros da Viagem

11 respostas a Roteiro 1 – ago/09 – Relatório de Viagem

  1. Fabiana e Oswaldo, o relato está muito bom! Estou pensando em fazer um roteiro parecido com o que vocês fizeram. Ao fazer uma busca no Google, procurando alguém que tivesse feito o mesmo trajeto, encontrei esse blog.
    Minha idéia nesse momento, é também visitar Bonito e Caldas Novas, saindo do Rio de Janeiro e indo direto para Bonito (a única coisa diferente do roteiro de vocês, é a ida até Guaíra.). Depois Caldas Novas, voltando por Minas Gerais para o Estado do RJ. O relato de vocês vai me ajudar muito no meu planejamento, vou com um Renault Logan, junto com a minha esposa.

    • Olá Rogério,

      esse roteiro é muito bonito, mas acho que ficará um pouco cansativo ir direto do Rio de Janeiro até Bonito. Acho que vale a pena fazer um pernoite no meio do caminho para descansar. Fora isso, pegue seu Logan (gosto muito da Renault, carro feito pra não quebrar) e pé na estrada. Qualquer dúvida, é só escrever. Boa viagem!

  2. Edna Maria Kiil diz:

    Olá Rogério,
    Estamos indo de Pato Branco PR à Bonito MS, sábado, e estávamos um pouco inseguros quanto ao percurso de Guaíra até Bonito, mas com o teu roteiro passo a passo, anotamos todas as cidades, as distancias, e poxa, valeu a pena a sua dica, ah as fotos são maravilhosas.Obrigada, Edna.

  3. Luiz Eduardo diz:

    Olá achei muito bom o roteiro do Oswaldo e da Fabiana , parabens pela viagem , estou querendo fazer só eu tenho um problema meu carro é um kia cerato c aro 17 ,e o perfil do pneu é muito baixo e naõ vai aguentar os buracos .eu lí tudo e parecia q estava viajando muito legal !

    • Olá, obrigado pela visita em nosso blog!

      Olha, sinceramente acho que não terá problemas com os buracos da estrada. Fomos nessa viagem com um Renault Clio. Tendo cuidado, não terás problemas. Ou pelo menos, reduzirá os riscos, pois é claro que imprevistos podem acontecer.

      Abs e boa viagem!

  4. Jandyra diz:

    Oi. eu também sou uma viajante. Já conheço quase que o Brasil inteiro. Faço viagem de carro, de moto e de avião. Gostaria de trocar experiência com vcs. Meu proximo projeto para o final do ano é o interior do Brasil. Aguardo contato.Jandyra – dyraathayde@gmail.com

  5. pati diz:

    ola queria saber qunto vc gastaram na estrada para ALmoço e pousar

    • Olá, em relação aos gastos, é possível economizar (comprando lanche e levando “besteiras” como biscoito, etc.) ou gastar mais se almoçar em lugares melhores.

      Costumo dizer que alimentação e hospedagem é possível economizar bem ou gastar mais, dependendo dos lugares.

  6. Olá, estou pensando em ir de carro com meu namorado para Caldas Novas – Rio quente. Poderia me dar algumas dicas? Obrigada!!!

    • Olá. Vcs são do RJ? Ir direto não recomendo, mas com uma parada é viável fazer. Entretanto, se forem apenas conhecer Caldas Novas – Rio Quente, por que não pegam um avião até Goiânia e lá alugam um carro?

      Se tiverem mais dias, podem escolher uma cidade no “meio do caminho” e a fazer uma viagem onde conhecerão Caldas Novas e outro(s) lugar(es).

      Mande-nos um email (decarronaestrada@gmail.com) e trocamos mais informações.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s