Carretera Austral – set/17

Em setembro de 2017, mais uma grande aventura foi iniciada. A tão sonhada Carretera Austral foi o objetivo traçado para esse mês.

Foram 3.452 km rodados durante 20 dias em terras chilenas.

Fotos dessa viagem: Álbum 1

Mais fotos dessa viagem: Álbum 2

E pra terminar: Álbum 3

A Carretera Austral (Ruta 7) é uma rodovia localizada no sul do Chile. Seu traçado atual de aproximadamente 1.240 quilômetros une Puerto Montt a Villa O’Higgins e cruza inúmeros parques nacionais, em meio à cenários completamente inexplorados e inóspitos.

Devido às complicadas características geográficas do território, no qual predominam os Andes Patagônicos, lagos, turbulentos rios e a presença de campos de gelo, a rodovia está em permanente manutenção. Mais de 50% da estrada é de rípio. Um pouco menos da metade já está asfaltada. Os principais trechos de asfalto estão nas proximidades de Coyhaique, Puerto Montt e Chaitén. É bem provável que o total asfaltado aumente nos próximos anos, já que as obras de pavimentação estão em andamento.

Sua construção iniciou-se em 1976 por ordem do Regime Militar (encabeçado por Augusto Pinochet), sendo um dos projetos mais caros e ambiciosos dos últimos tempos no Chile. O trabalho do Exército do Chile habilitaria os diferentes trechos da rodovia ao longo dos anos 1980 permitindo a conexão da Patagônia chilena com o resto do país após anos de isolamento. A rodovia ainda não está completa e vários trechos são percorridos através de balsas.

Não é necessário um carro 4×4 para cruzar a Carretera Austral. Mesmo na época das chuvas, dificilmente precisará tracionar o seu veículo. A grande desvantagem de dirigir com um carro menor diz respeito ao excesso de buracos. Neste caso, basta dirigir devagar e atento às curvas, que cruzará toda a sua extensão sem maiores problemas.

Em toda a extensão da Carretera, existem 4 pontos onde é necessário pegar uma balsa para ir de um ponto a outro. Dependendo da época do ano, é bom reservar com antecedência para não perder tempo e só poder embarcar no dia seguinte. A seguir, um resumo dessas 4 travessias.

1 – O primeiro trecho fica entre Caleta La Arena e Caleta Puelche e dura aproximadamente meia hora. Nesse trecho, não precisa se preocupar: há travessia o dia inteiro, com intervalos de 30 minutos entre uma balsa e outra. Não é necessário fazer reserva e o pagamento é feito dentro da balsa, com o veículo já embarcado. Veja mais detalhes em: Site do Transportes Austral

2 – Os trechos 2 (entre Hornopirén e Leptepu, com duração de 3 horas) e 3 (entre Fiordo Largo e Caleta Gonzalo, com duração de 30 minutos) são vendidos conjuntamente. Entre Leptepu e Fiordo Largo é necessário andar com o carro aproximadamente 10 km numa estrada de rípio. Preste atenção nesse trecho: na alta temporada há somente 2 saídas por dia, enquanto que na baixa temporada, somente uma. É bom fazer uma reserva com antecedência principalmente se for na alta temporada. Veja mais detalhes em: Site do Transportes Austral

3 – O quarto trecho fica entre Puerto Yungay e Rio Bravo, depois de Caleta Tortel, já quase no final da Carretera. Esse trecho é feito gratuitamente e não é necessário nenhum tipo de reserva. Dura cerca de 30 minutos. São aproximadamente 12 vagas de carro comum e é por ordem de chegada. Na baixa temporada são feitas 4 travessias (2 no sentido Puerto Yungay e 2 no sentido Rio Bravo), enquanto que na alta temporada são 6 travessias (3 pra cada lado). Há placas informativas dos horários em Coyhaique, Tortel e na bifurcação (Tortel e Puerto Yungay). Fique de olho nos horários. Quando fomos eram 2 saídas de Puerto Yungay (sentido Rio Bravo) às 12 e 15 horas; e 2 saídas de Rio Bravo (sentido Puerto Yungay) às 13 e 16 horas.

Além desses trechos que são obrigatórios a quem vai percorrer toda a Carretera somente em território chileno, existem também trechos alternativos:

– Entre Chile Chico e Puerto Ibánez. Veja detalhes em: Site da Barcaza

– Outras Rotas que ligam Chaitén a Chiloé e Puerto Montt. Detalhes em: Site da Naviera Austral

Cabe ressaltar que é possível também alterar trechos em territórios argentinos. Entretanto, nossa rota foi feita 100% em território chileno.

Um outro ponto importante é o planejamento para abastecer seu veículo. Com um bom planejamento de postos de combustíveis, não há com que se preocupar. Há postos espalhados ao longo da Carretera, mas não em todos os vilarejos.

As cidades que possuem postos de combustíveis da Copec (empresa chilena de petróleo) ao longo da Carretera e arredores são: Villa O’Higgins, Cochrane, Puerto Río Tranquilo, Chile Chico, Coyhaique, Puerto Chacabuco, Puerto Aysén, Vila Maniguales, Puerto Cisnes, Puyuhuapi, La Junta, Palena, Futaleufú, Chaitén, Hornopirén e Puerto Montt.

Outra dica importante, é em relação ao dinheiro. Além de muitos estabelecimentos aceitarem cartão, outros só aceitam efectivo (dinheiro vivo). Assim, é melhor levar dólares (ou euros) e irem trocando em algumas cidades. Mas fiquem atentos, pois não são em todas as cidades que aceitam/trocam moeda extrangeira. No Banco Estado, que tem em várias cidades ao longo da Carretera, troca-se dolar e euro pelos pesos chilenos a uma cotação amigável. As cidades que vimos que tem o Banco Estado são Chaitén, Futaleufú, Coyhaique, Cochrane e Puerto Aysén. Mas atente-se ao horário: quando fomos, o horário de funcionamento era de 9 às 14 horas.

Após as dicas, vamos relatar abaixo nossa aventura, junto com as dicas extras de cada cidade.

Dia 11 de setembro

Nossa aventura começou nessa segunda-feira. Chegamos de avião na cidade de Puerto Montt, onde já pegaríamos o carro que alugamos, uma Chevrolet Captiva. No horário marcado o carro e o rapaz estavam lá, entretanto, verificamos algumas falhas na entrega do carro, como falta de extintor, 2 pneus meio gastos e dificuldade do rapaz nos explicar como tirar o step (pois havia dois ferrinhos que serviam como trava do pneu step). Enfim, perdemos um tempinho. Esse tempo perdido, poderia ter nos atrapalhado nos passos seguintes. Tínhamos uma reserva de balsa saindo de Puerto Montt naquela noite indo até Chaitén. Foi uma correria só, mas conseguimos embarcar. O ferry saiu às 23 horas da segunda e chegou em Chaitén por volta de 9 horas da manhã de terça-feira. Na embarcação existem poltronas confortáveis para passarmos a noite e uma cafeteria. Ver mais detalhes em: Site da Naviera Austral

Dia 12 de setembro (Trecho entre Chaitén e Futaleufú – Aproximadamente 150 km – Aproximadamente 4 horas – Trecho na Ruta 7 predominantemente em asfalto, com alguns trechos em rípío – Trecho na CH-235 até Futaleufú totalmente em rípio)

O que fazer em Chaitén:

– Trilhas e área de camping muito bem estruturadas no Parque Pumalin: Parque Pumalin

– Visitar a cidade de Chaitén que foi destruída em maio de 2008 pelo vulcão de mesmo nome. Os habitantes foram removidos e houve um incentivo para que os habitantes ficassem definitivamente longe do local, numa região chamada Santa Bárbara. Entretanto, os moradores lutaram e resolveram reconstruir a cidade. Mais informações em https://es.wikipedia.org/wiki/Chaitén_(comuna)

– Termas El Amarillo – Que tal um banho de águas termais? Veja mais informações em: Termas Rio Amarillo

– Museu a céu aberto da tregédia de 2008: casas soterradas pelas cinzas do vulcão

O que fizemos nesse dia:

Chegamos na cidade de Chaitén por volta das 9 horas da manhã, desembarcando do ferry boat. Fomos ao centro, trocamos alguns dólares por pesos chilenos no Banco Estado, compramos alguns suprimentos no mercado e fomos fazer a trilha do Vulcão Chaitén. A trilha começa cerca de 23 km do centro de Chaitén (sentido Caleta Gonzalo). Possui um estacionamento e sinalização para o começo da caminhada. A caminhada começa tranquila, com um visual meio devastador, fruto da erupção do vulcão em 2008. A subida vai apertando e o final é bem desgastante. No dia em que subimos havia muita névoa, que nos atrapalhou um pouco.

Depois dessa trilha, pegamos o carro e fomos até a Termas El Amarillo para relaxar nas águas quentes. Entretanto, ela encontrava-se em manutenção e resolvemos seguir para Futaleufu, onde passamos a primeira noite. Chegamos numa chuva fina e um frio arrasador. Fomos jantar e brindar a chegada nessa bela cidade.

Dia 13 de setembro (Trecho entre Futaleufú e Puyuhuapi – Aproximadamente 190 km – Aproximadamente 5 horas – Trecho na Ruta 7 predominantemente em asfalto, com alguns trechos em rípío – Trecho na CH-235 de Futaleufú até a Rua 7 totalmente em rípio)

O que fazer em Futaleufú:

– Rafting no rio Futaleufu.

– Mirador Torre D´agua: É uma trilha rápida que começa no lado oriente da cidade, onde se localiza a laguna Espejo. É possível chegar ao cume em 30 minutos e apreciar a bela vista da cidadezinha.

– Cerro La Bandera: De toda a cidade é possível admirar o cerro La Bandera. Em seu cume, permanece balançando a bandeira nacional chilena. Em uma hora e meia é possível chegar no final da trilha. Ela começa no extremo oposto à trilha Torre D´agua.

– Sendero Piedra Del Aguila: Essa trilha é uma das mais clássicas de Futaleufu. Seu começo fica a aproximadamente 4,5km desde a praça de armas. Durante a trilha vai encontrar amplas vistas do Rio Espolón e numerosos cumes.

O que fizemos nesse dia:

Acordamos cedo com uma chuva fina bem chata. Resolvemos então subir o Mirador Torre D´agua. O começo da trilha é uma escadaria que é fácil de identificar. Depois da escadaria não há sinalização, mas é bem fácil de identificar o caminho correto. Depois, fomos até o início da trilha da Piedra del Aguila. Entretanto, como estava chovendo bem e haviam muitas nuvens no céu, resolvemos abortar essa ideia. Voltamos ao centro, nos abastecemos de cerveja e comida e seguimos viagem sentido sul. Passamos por La Junta e terminamos em Puyuhuapi, onde brindamos mais um grande dia.

Dia 14 de setembro (Trecho entre Puyuhuapi e Puerto Aisén – Aproximadamente 205 km – Aproximadamente 5 horas – Trecho na Ruta 7 predominantemente em asfalto, com alguns trechos em rípío)

O que fazer em Puyuhuapi:

– Em Puyuhuapi propriamente dito, não há muito o que fazer, mas há atrativos em seu entorno

– Termas Ventisquero: Termas Ventisquero

– Sendero Ventisquero Colgante: Pertencente ao Parque Nacional Queulat, essa trilha é obrigatória de se fazer. A 21 km de Puyuhuapi (sentido sul), tem que pegar uma estrada de terra à esquerda até a entrada do parque, onde se paga a entrada. Pagamos, em 2017, CH 3.000 (Três mil pesos chilenos) por pessoa. Existem 4 trilhas: uma de 200 metros (mirador) bem fácil, uma de 500 metros (fauna e flora) bem fácil, uma de 1,2 km (ida e volta para outro mirador à beira do lago) e a trilha de verdade, de 6,6 km (ida e volta, que chega bem próxima do ventisquero). Essa última trilha, dura aproximadamente 3 horas para subir e descer.

– Trilha do Bosque Encantado: Uma trilha de 2,2 km (somente ida) com duração de aproximadamente 2 horas e meia (somente ida). Seu início é na beira da Carretera (na descida da serra do PN Queulat). Existe uma placa sinalizando o início da trilha.

O que fizemos nesse dia:

Saímos de Puyuhuapi e logo 10 km depois, encontramos obras na ruta 7, devido a um deslizamento. O trecho estava interditado e tivemos que pegar uma balsa para passar desse trecho acidentado. Isso atrasou um pouco nossa programação e só conseguimos começar a trilha do Ventisquero por volta de 12 horas. Apesar de algumas nuvens no céu, e depois de esperar uns 20 minutos no mirador final, conseguimos visualizar o ventisquero e ver toda a beleza da natureza naquele lugar. Depois, continuamos de carro até Puerto Aisén, onde pernoitamos para pegar o barco no dia seguinte e fazer o passeio até o Glaciar San Rafael.

Dia 15 de setembro (Trecho entre Puerto Aisén e Puerto Chacabuco e retorno a Puerto Aisén – Aproximadamente 15 km (somente ida) – Aproximadamente 20 minutos – Trecho todo asfaltado)

O que fazer em Puerto Aisén e Puerto Chacabuco:

– A principal atração aqui é fazer o passeio até a Laguna San Rafael e ver de perto icebergs e o Glaciar San Rafael. Detalhes em: Loberias del Sur

– Há opções de Cachoeiras no entorno

O que fizemos nesse dia:

Saímos de Puerto Aisén bem cedo para pegar o barco em Puerto Chacabuco às 8 da manhã. O passeio inclui café da manhã, almoço, bebida liberada na parte da tarde e claro, a atração principal, o Glaciar San Rafael, que é visto de perto, quando as pessoas descem em botes infláveis. No final do dia, voltamos a Aisén, pois há mais opções para pernoite.

Dia 16 de setembro (Trecho entre Puerto Aisén e Coyhaique – Aproximadamente 70 km – Aproximadamente 1:20 hora – Trecho todo asfaltado)

O que fazer em Coyhaique:

– Mirador da cidade na estrada entre Aisén e Coyhaique

– No inverno, tem uma estação de esqui a 30 minutos da cidade: Centro de Ski El Fraile

– No caminho para Coyhaique Alto tem o Monumento Natural Dos Lagunas

– Reserva Nacional Rio Simpson

O que fizemos nesse dia:

No caminho entre Aisén e Coyhaique visitamos algumas cachoeiras, o mirador da cidade e fomos até a estação de esqui El Fraile. Ficamos um pouco lá e voltamos ao centro, onde tomamos uma bela cerveja gelada e comemos um ótimo churrasco.

Dia 17 de setembro (Trecho entre Coyhaique e Puerto Rio Tranquilo – Aproximadamente 220 km – Aproximadamente 5 horas – Trecho até Cerro Castillo todo em asfalto – Depois, somente rípio)

O que fazer em Cerro Castillo:

– Paradón de las manos: A 3 km de Villa Cerro Castillo, se encontra uma parede rochosa de 35 metros com pinturas realizadas há muito tempo atrás. Há diversas pinturas antigas, e a principal atração é a parede com muitas mãos, resultado de diferentes cores ao redor do contorno de uma mão apoiada sobre a superfície rochosa. As cores mais usadas são vermelho, preto, branco e amarelo.

– Os caracoles de Cerro Castillo: uma versão bem menor dos famosos caracoles entre Santiago e Mendoza. Pare no mirador e admire a bela paisagem do local.

– Sendero ao Cerro Castillo: ver detalhes em Trilha para Cerro Castillo

O que fizemos nesse dia:

Saímos de Coyhaique rumo a Puerto Rio Tranquilo. Ao passar pela Laguna Chiguay, uma bela surpresa: o lago estava congelado. Ao longo do caminho muito gelo na beira da estrada. Uma bela paisagem nos recepcionando. Na altura do mirador Cerro Castillo, uma parada estratégica para apreciar a bela vista. Seguimos adiante e chegamos em Rio Tranquilo, à beira do lindo lago General Carrera. Fomos direto nos quiosques que vendem passeios para o Glaciar Exploradores e para as Capillas de Mármore.

Dia 18 de setembro – Puerto Rio Tranquilo

O que fazer em Puerto Rio Tranquilo:

– Caminhada sobre o Glaciar Exploradores: na beira da Ruta 7, no centro de Rio Tranquilo, existem vários quiosques que vendem esse passeio, com guia, transporte, equipamento e lanche.

– Capillas de Mármol: as belas capelas de mármore, um atrativo natural da cidade, no lago General Carrera. Tem o tradicional passeio de barco (aprox. 1 hora e mais barato) e o passeio de caiaque (aprox. 2 horas e meia).

O que fizemos nesse dia:

Havíamos comprado dois passeios no dia anterior: caminhada sobre o Glaciar Exploradores e o passeio de caiaque nas Capillas de Mármol. No dia 18, fomos caminhar sobre o Glaciar. Pegamos uma van, que se desloca 50 km em estrada de rípio até o início da trilha. A partir da entrada do parque, caminhamos no total, cerca de 6 horas: 1 hora e meia em trilha com terra e depois pedras até chegar no gelo, onde colocamos o equipamento e ficamos cerca de 3 horas em cima do glaciar. Em seguida, retornamos mais 1 hora e meia pelo mesmo caminho de pedras e terra. O passeio dura o dia todo e vale cada passo dado. Fantástico!

Nesse dia, além da espetacular geleira, conhecemos um casal de São Paulo, também viajantes como nós, com sua “van-home”. Eles tem um blog! https://wonderworld.com.br/


Dia 19 de setembro – (Trecho entre Puerto Rio Tranquilo e Cochrane – Aproximadamente 115 km – Aproximadamente 02:30 horas – somente rípio)

O que fizemos nesse dia:

Acordamos e fomos fazer o tour de caiaque pelas Capillas de Mármol, em Puerto Rio Tranquilo. Indescritível !! As fotos entregam apenas cerca de 20% da beleza do local. Estar lá pessoalmente é incrível. Depois, pegamos o carro e seguimos rumo a Cochrane. Passamos por Puerto Rio Bertrand, que é bonito, mas não tem nada demais, e chegamos em Cochrane. A cidade tem o Banco Estado para cambiar dolares. Em seguida, fomos direto ao mirador avistar a cidade do alto. Caçamos nosso hotel e nos preparamos para o dia seguinte, onde chegaríamos até Caleta Tortel.

O que fazer em Cochrane:

– Parque Nacional Tamango, com um circuito de 42 km de trilhas, à beira do lago Cochrane. Existem circuitos para vários dias, para apenas 1 dia e para algumas horas. A entrada principal fica a apenas 4 km da cidade.

– Mirador onde é possível avistar toda a cidade.

Dia 20 de setembro – (Trecho entre Cochrane – Caleta Tortel – Aproximadamente 130 km – Aproximadamente 3 horas – somente rípio, em piores condições)

O que fizemos nesse dia:

Nesse dia ficamos na dúvida: opção 1, sairíamos cedo de Cochrane pra passar rapidamente em Tortel e ir até Villa O´Higgins; ou opção 2, ir no PNT (Parque Nacional Tamango) e ir com calma e pernoitar em Tortel. Resolvemos fazer a segunda opção.

Então fomos curtir o Parque Nacional Tamango, fazendo um circuto de trilha de aproximadamente 10 km. O tempo estava ótimo.

Depois, seguimos rumo à Tortel, pelas precárias, mas bonitas, estradas até o vilarejo. Ao chegar no “grande estacionamento” de Tortel, nos deparamos com nosso primeiro imprevista: pneu furado! Caçamos uma “gomeria” debaixo de chuva, compramos um pneu novo na “gomeria” (pois o que estourou estava bem estragado) e resolvemos nosso problema.

Ainda jantamos no restaurante da tia e achamos um bom quarto para passarmos a noite.

O que fazer em Caleta Tortel:

– Caleta Tortel é uma cidade que não há ruas. Você chega numa grande praça (um grande estacionamento), deixa seu carro lá e vai andar pelas passarelas da “cidade”. Há um quiosque de informações turísticas em frente ao estacionamento. Na baixa temporada costuma estar fechado. Em Tortel, são aproximadamente 7 km de passarelas, onde há escolas, supermercados, hospedagens, restaurantes…

– Mirador

Dia 21 de setembro – (Trecho entre Caleta Tortel e Villa O´Higgins – Aproximadamente 150 km – Aproximadamente 4 horas – balsa e rípio, em piores condições)

Nesse trecho, não esqueça da balsa. Na baixa temporada, são 2 horários; na alta temporada, são 3 horários por dia. Como estávamos na baixa temporada, poderíamos atravessar às 12 horas ou às 15 horas rumo ao final da Carretera.

O que fizemos nesse dia:

Acordamos cedo e passeamos pelas passarelas (debaixo de chuva). Aliás, Tortel atrai a chuva pelo que vimos por aí. Depois, pegamos nosso carro e fomos até a balsa pra atravessar no primeiro horário. Ainda paramos no “bar” que tem do lado de Puerto Yungay e tomamos um chocolate quente. Mais uns quilômetros e chegamos ao final da Carretera Austral! Missão Cumprida!!! Fomos até a placa que indica o final da Ruta 7 (Carretera Austral) e batemos várias fotos: afinal, as placas também são importantes!

Nesse dia, ainda deu tempo de fazer uma pequena trilha bem fácil para ver o pôr do sol: Sendero Los Miradores que te dá uma bela vista do pequeno vilarejo de Villa O´Higgins.

Ao final do dia, tomamos um vinho e comemos um salmão maravilhoso para comemorar o sucesso da viagem.

O que fazer em Villa O´Higgins:

– Bater foto na placa que indica o final da Carretera Austral;

– Sendero La Bandera: aproximadamente 4 km ida e volta, com duração de 4 horas ida e volta. A trilha está em boas condições, porém alguns trechos requer um pouco mais de atenção para passar;

– Sendero Mirador del Valle: aproximadamente 4 km ida e volta, com duração de 3 horas ida e volta;

– Sendero Los Miradores: aproximadamente 1,5 km ida e volta, com duração de 1 hora bem tranquilo;

– Há passeios de barco para o Glaciar O´Higgins. Para isso, o tempo precisa estar bom;

– Há travessias de barco misturado com trekking para o lado Argentino, chegando até El Chalten.

Dia 22 de setembro – (Trecho entre Villa O´Higgins e Cochrane – Aproximadamente 240 km – Aproximadamente 9 horas – balsa e rípio, em piores condições)

O que fizemos nesse dia:

Tudo que é bom dura pouco. No início do dia, ainda subimos a trilha La Bandera, com belo visual dos lagos ao redor. Pegamos o carro e fomos em direção a balsa. Pegamos a balsa das 16 horas e chegamos na cidade de Cochrane no início da noite.

Dia 23 de setembro – (Trecho entre Cochrane e Chile Chico – Aproximadamente 180 km – Aproximadamente 4 horas – balsa e rípio)

O que fazer em Chile Chico:

– Circuito de trilhas Piedra Clavada, com alguns pontos turísticos (Piedra Clavada, Cueva de las Manos e Valle Lunar). O trecho final está mal sinalizado. É melhor ir com guia;

– Mirador da cidade: é possível ir a pé;

– Cidade fronteiriça com Argentina;

– Reserva Nacional Lago Jeinemeni.

O que fizemos nesse dia:

Saímos da cidade de Cochrane, acompanhamos o belíssimo rio Baker, beiramos o magnífico Lago General Carrera e chegamos em Chile Chico. Subimos no mirador da cidade, fomos ao mercado e tentamos, em vão, pegar informações sobre o circuito de trilhas Piedra Clavada. A única coisa que nos falavam é que o tempo estava ruim e não estavam fazendo passeios para lá.

Jantamos no restaurante e, no hotel, fomos à internet pegar informações. Vimos que a trilha não estava bem demarcada no final. Resolvemos ir assim mesmo, mas sabendo que a qualquer momento, devido ao tempo ou a qualquer outro fator, poderíamos voltar e abortar a missão de completar o circuito.

Dia 24 de setembro – (Trecho entre Chile Chico e Coyhaique – Aproximadamente 150 km – Aproximadamente 5 horas – balsa, asfalto e rípio)

O que fizemos nesse dia:

Acordamos cedo com o seguinte cenário: de um lado, o céu azulzinho; do outro, o céu carregado e preto. O que fazer? Ir para o início da trilha e ver no que ia dar. Saindo da cidade, no sentido da Argentina, viramos à direita antes da fronteira e pegamos a X-753. Eram pouco menos de 30 km até o estacionamento. Faltando 2 km para chegar ao estacionamento, havia um rio no meio da estrada. Não muito alto, mas ficamos com receio de atravessar e deixamos o carro antes do rio. Pegamos nossa mochila, atravessamos o rio a pé e seguimos até o início da trilha, no estacionamento.

Iniciamos a trilha com o tempo meio “mocoronga”, nublado e com possibilidade de chuva a qualquer momento. E, de fato, com alguns minutos de trilha, a chuva caiu. E para tudo, coloca capa de chuva e segue adiante. A chuva fina virou chuva grossa e aos poucos a água começou a congelar: estava nevando!!! E olha o que íamos perder se resolvessemos não fazer a trilha. Paisagem espetacular. Sob a neve, chegamos na Piedra Clavada, onde ficamos 10 minutos. Com uma névoa aumentando junto com a neve, além do fato do trecho final da trilha estar mal sinalizado e termos hora pra voltar e pegar a balsa, resolvemos voltar pelo mesmo caminho. O tempo muda muito rapidamente. Quando voltamos ao estacionamento, já havia parado de chover e quando chegamos novamente no carro, o tempo já estava todo azul.

Voltamos à cidade e compramos nosso bilhete para atravessar o lago General Carrera. Em Puerto Ibanez, um belo arco-íris nos recebeu. E ainda pegamos neve na estrada, na serra de Cerro Castillo. Que belos presentes! Finalmente chegamos em Coyhaique a noite, depois de mais um dia espetacular.

Dia 25 de setembro – (Trecho entre Coyhaique e Chaitén – Aproximadamente 420 km – Aproximadamente 7 horas – asfalto e rípio)

O que fizemos nesse dia:

Partimos de Coyhaique rumo a Chaitén. Íamos parar no meio do caminho pra fazer a trilha do Bosque Encantando. Entretanto, uma avalanche havia fechado a trilha e não conseguimos fazer essa belíssima trilha.

Chegamos em Chaitén no fim do dia e visitamos o museu a céu aberto que tem na cidade. Casas soterradas pelas cinzas do ocorrido em 2008. E o vulcão Chaitén ao fundo… acompanhamos o pôr do sol no Pacífico e fomos jantar. Aqui, conhecemos 3 pessoas de São Paulo: estavam num carro de 1966… uau!

Dia 26 de setembro – (Chaitén)

Ficamos o dia em Chaitén e fizemos algumas trilhas no entorno. Fizemos as trilhas Ventisquero El Amarillo (na parte sul do Parque) e Laguna Tronador (perto de Caleta Gonzalo). Cabe ressaltar aqui que a estrutura do Parque Pumalin é espetacular com áreas de camping e trilhas bem demarcadas.

A trilha do Ventisquero El Amarillo, em ótimas condições, não tem um visual muito bacana. É válido pela trilha apenas. Duração de 2,5 horas e aproximadamente 3 km.

A trilha laguna Tronador é bem dificil e escorregadia. Com quase 5 km ida e volta, é possível fazê-la em 4 horas. No final, uma bela lagoa te dá as boas vindas.

Mais informações no link: Parque Pumalin

Voltamos a dormir em Chaitén.

Dia 27 de setembro – (Trecho entre Chaitén e Puerto Montt – Aproximadamente 240 km – Aproximadamente 9 horas – asfalto, rípio e balsa)

Pela manhã, ainda fizemos o sendero Los Alerces, bem curto, sem mirador. O atrativo aqui são os alerces (uma das árvores de maior longevidade do mundo).

Ainda deu tempo para ver uma bela laguna no meio da estrada.

Depois, fomos pegar a balsa (compramos o bilhete em Chaitén), na mesma empresa que viemos: Site da Naviera Austral

O trecho que compramos é dividido em duas partes: pega-se uma balsa em Caleta Gonzalo até Fiordo Largo. Anda-se com o carro 10 km no rípio e pega-se outra balsa Leptepu até Hornopiren. Visual fantástico nessa segunda travessia.

De Hornopirén, anda-se de carro até Caleta Puelche para pegar outra balsa (aqui paga-se na própria embarcação). O desembarque acontece em Caleta La Arena, onde chega-se em Puerto Montt, poucos quilômetros depois.

Nesse dia, tivemos problemas com o pernoite: a cidade estava cheia e não conseguimos lugar para ficar com facilidade. Achamos um verdadeiro “pulgueiro” para passar a noite.

Dia 28 de setembro – (Trecho entre Puerto Montt e Castro – Aproximadamente 180 km – asfalto)

Dia de adentrar na Ilha de Chiloé. Saímos de Puerto Montt, pegamos a panamericana, atravessamos de balsa para Chiloé (paga-se na própria embarcação) e fomos até Ancud, conhecer os atrativos local: forte de San Antonio, Praia de Areia Grossa e o Mirador. Há ainda o Mercado Municipal local e o museu regional, que não visitamos. Saindo do centro de Ancud, fomos até o Monumento Natural Islotes de Puñihuil, que lota de pinguins na época certa (novembro e dezembro). Estávamos apenas no início da migração dessas aves e avistamos apenas uma “meia dúzia” de “cinco”.

Continuamos pela panamericana, descendo pela ilha. Ainda passamos na cidade de Dalcahue e visitamos a igreja do vilarejo, que faz parte do circuito de igrejas da ilha.

Seguimos até Castro, olhamos as palafitas que são o cartão postal da cidade, encontramos um hotel próximo da praça e fomos jantar, com direito a empanadas e cerveja.

Dia 29 de setembro – (Castro – Quellon – Castro – Aproximadamente 180 km (ida e volta) – asfalto)

Quellon em si, não tem muita coisa pra fazer. Ainda mais embaixo de chuva. Fomos até o final da rodovia Panamericana, tiramos foto com o marco (lembrem-se que placas são importantes) e voltamos para Castro, depois de fazer um lanche no centrinho de Quellón, onde conhecemos uma moça local que tinha visitado o Rio de Janeiro no ano anterior.

Voltamos a Castro, fomos na feira artesanal, vimos pelicanos e lobos marinhos no porto e comemos um “chupe de locos” (espécie de escondidinho de um marisco local), regados a cerveja Austral.

Era nosso último dia na ilha.

Dia 30 de setembro – (Castro – Puerto Montt)

Voltamos pela Panamericana e ainda paramos na cidade de Quemchi. Há uma ilha perto dessa cidade que visitamos, chamada “Isla de las almas navegantes”, sombria, com um cemitério local e uma igreja. Comemos uma empanada e seguimos adiante. Atravessamos de balsa novamente e chegamos em Puerto Montt. Dessa vez foi mais fácil arrumar um hotel na cidade. Fomos ao centro, tiramos uma foto com a placa demarcando o início da ruta 7 (Carretera Austral), jantamos e nos despedimos da cidade e do país nessa viagem.

Dia 01 de outubro

Devolvemos o carro e pegamos o vôo de volta à Cidade Maravilhosa… e ao chegar, percebemos que o “Rio de Janeiro continua lindo…”

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